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Justiça

Procuradores do DIAP do Porto admitem apresentar queixa-crime contra Ricardo Bexiga por difamação

14.02.2008 - 08:33 Por António Arnaldo Mesquita

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Pinto Monteiro deferiu ontem um requerimento solicitando dispensa do dever de reserva dos procuradores Pinto Monteiro deferiu ontem um requerimento solicitando dispensa do dever de reserva dos procuradores (Nuno Ferreira Santos (arquivo))
Procuradores do DIAP (Departamento de Investigação e de Acção Penal) do Porto admitem queixar-se de Ricardo Bexiga por difamação e denúncia caluniosa. Os magistrados não se conformam que Bexiga tenha afirmado que o DIAP do Porto meteu "meticulosamente" durante dois anos na gaveta a investigação da agressão de que foi vítima, em Janeiro de 2005.

A coordenadora do DIAP do Porto, Hortência Calçada, requisitou ontem uma cópia certificada de todo o inquérito que foi arquivado pela Equipa de Coordenação dos Processos do Apito Dourado, dirigida por Maria José Morgado. Os autos devem ser examinados para aquela procuradora-geral adjunta fazer uma comunicação pública sobre a respectiva tramitação.

A divulgação vai ser feita dentro de dias, após o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, ter deferido ontem de manhã um requerimento que lhe foi dirigido pela totalidade dos 38 magistrados daquele departamento, solicitando dispensa do dever de reserva a que estão sujeitos. Os procuradores do DIAP do Porto realçavam que, "após um ano de insistentes afrontas à dignidade e honra profissional de todos estes magistrados, (...) a respeito de vários inquéritos [certidões do processo principal do Apito Dourado], que correram termos [naquele] departamento", o dever de reserva os tem obrigado ao silêncio que, frisam, "neste momento se tornou intolerável".

A gota de água foram as críticas de Ricardo Bexiga ao DIAP do Porto e as palavras que este proferiu num programa da RTP. Ontem, a procuradora Maria João Taborda, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público do Norte, disse à Lusa que "os últimos acontecimentos levaram a que colegas do Porto se sentissem profundamente ofendidos, já que a sua honra foi posta em causa" pelas afirmações recentes de Ricardo Bexiga.

O ex-vereador socialista na Câmara de Gondomar rejeita a imputação e afirmou à Lusa que os magistrados do MP devem prestar "esclarecimentos" sobre o que se passou em torno da investigação do seu caso, em vez de protestarem contra as acusações que fez à forma como o processo foi tratado pelo DIAP do Porto.

"Também não entendo por que se está a centrar a polémica em mim. Eu limitei-me a transmitir o que a equipa de Maria José Morgado escreveu no despacho de arquivamento do processo", frisou Bexiga.

O despacho, que pode ser consultado na íntegra em www.publico.pt é omisso quanto a críticas ao DIAP do Porto, mas aponta omissões: "Na altura dos factos e não obstante ter comparecido no local a PSP, não foram recolhidos vestígios, designadamente não foram recolhidas impressões digitais na viatura, nem o local foi sujeito a exame, a fim de encontrar a arma do crime." "Tais diligências teriam sido determinantes para a identificação dos autores materiais da agressão", realça a procuradora no seu despacho de arquivamento.

A investigação ganhou novo fôlego, em finais de 2006, quando Carolina Salgado assumiu publicamente a sua condição de mandante da agressão.

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Sôr Gomes

Monsieur Gomes de Geneve. Se o senhor fosse pessoa válida, não estava na Suiça a lavar pratos.

António Nunes

15.02.2008 14:40

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