Privados ficam de fora do programa para cirurgia da obesidade

29.12.2009 - 21:29 Por Margarida Gomes
Os centros privados de tratamento da obesidade ficaram de fora do Programa de Tratamento Cirúrgico da Obesidade (PTCO), que foi hoje celebrado entre o Ministério da Saúde e 19 hospitais públicos, que se propõem realizar 3000 cirurgias/ano, já a partir de 2010.
O programa, que arranca na próxima semana, aposta na redução do tempo de acesso a consultas multidisciplinares para tratamento da obesidade grave e pretende garantir o acesso à cirurgia de obesidade “em tempo adequado” e reforçar o papel do Serviço Nacional de Saúde na resposta às necessidades da população.
Manuel Pizarro, secretário de Estado da Saúde, enalteceu as virtualidades deste programa, que vai reduzir significativamente os níveis de espera dos doentes para a realização de uma cirurgia da obesidade. O PTCO, cujo modelo segue as recomendações ditadas pela Comissão Nacional de Apoio ao Tratamento Cirúrgico da Obesidade (CNATCO), vai, assim, impor um “prazo máximo de espera provável de sete meses”. A partir de agora, sustenta o secretário de Estado, “nove meses passa a ser o tempo máximo de resposta a dar a um doente com obesidade grave”. O objectivo “é aumentar em 65 por cento as cirurgias realizadas anualmente pelos hospitais públicos”.
O programa determina que os hospitais que não cumpram os nove meses para a marcação da cirurgia ficam obrigados a enviar a partir do sétimo mês um vale-cirurgia para o doente, o que lhe permite optar por uma unidade do sector privado.
“A abertura do PTCO ao sector privado só vai acontecer depois de esgotada a capacidade de resposta do sector público”, declarou, por seu lado, o coordenador do programa. Pedro Gomes explicou que “o programa visa potenciar a resposta dos hospitais públicos na resposta à cirurgia da obesidade”.
António Sérgio, presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade, concorda com os termos do PTCO mas discorda do facto de os centros privados de tratamento da obesidade terem ficado de fora.
“Os centros prepararam-se, apetrecharam-se, e agora vêm-se excluídos e isso está errado”, declarou António Sérgio ao PÚBLICO. Apesar de considerar que o programa “está bem feito”, o cirurgião, que integrou a CNATCO, entende que lhe falta ambição. “O programa é pouco ambicioso em termos de números.” E porquê? Porque os valores encontrados foram ditados pelos hospitais públicos.
Para o director clínico da Ordem do Carmo (Porto), as unidades privadas avançaram com números mais ambiciosos. “Por exemplo, o Instituto Cuf e a Ordem do Carmo avançaram com 40 cirurgias da obesidade
mês, enquanto o Hospital Particular do Algarve propôs fazer 30 cirurgias”, disse, afirmando que é com alguma expectativa que aguarda pelos resultados do programa. Isto porque, notou António Sérgio, há hospitais públicos que “não se adaptaram à realidade”.

