Privados doaram mais do que o Estado português para ajudar o Sudeste asiático

26.03.2005 - 10:17 Por Isabel Leiria, PÚBLICO
A sociedade civil portuguesa não poupou esforços na angariação de dinheiro para apoiar as vítimas do maremoto no oceano Índico e acabou por contribuir com mais verbas do que o próprio Estado.
"O apoio público rondou os 10,5 milhões de euros e as várias campanhas realizadas por organizações não governamentais, empresas associadas e donativos do público em geral ultrapassaram os 11 milhões", informa Cecília Dionísio, do Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado.
Os dados foram compilados por este organismo (constituído no seio da Segurança Social e que serviu de elo de ligação entre as diferenças campanhas de solidariedade) e são relativos a este mês. Três meses após o maremoto que, a 26 de Dezembro, causou uma destruição humana e material quase sem precedentes, a chamada fase de emergência está concluída e as várias campanhas de angariação de fundos para ajuda às vítimas estão a encerrar. Até por imperativos legais.
"A lei determina que as contas de emergência têm um prazo limite de três meses para se manterem abertas. A nossa encerra a 27 deste mês", explica Margarida Cordeiro, da Unicef Portugal.
Outras organizações já pararam mesmo de pedir donativos. "Há mais de um mês que deixámos de procurar activamente a angariação de fundos. A indicação que recebemos a nível internacional foi a de que os nossos projectos de reabilitação e reconstrução estão cobertos para os próximos cinco, dez anos", diz Diana Araújo, do Departamento Internacional da Cruz Vermelha Portuguesa, referindo-se à totalidade de fundos recolhidos pela organização Cruz Vermelha de todo o mundo, pelo comité internacional e pela federação internacional. "Foi uma das maiores angariações de fundos desde há muitos anos", reforça.
No site da AMI (Assistência Médica Internacional), lê-se, por exemplo que, "face ao extraordinário contributo da sociedade portuguesa, a fundação tem condições de permanecer no terreno por um período de três a cinco anos".
Ao todo, e ainda segundo o Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado, cerca de duas dezenas de organizações representadas em Portugal têm acções de apoio às vítimas no Sudeste asiático, quer através de colaboradores directos, quer através dos seus congéneres.
Neste movimento de solidariedade mundial, Portugal não foi caso único. Já no início do ano, as contribuições da sociedade civil em países tão diferentes quanto o Reino Unido, a Holanda, a Arábia Saudita ou a Suíça ultrapassavam em muito a generosidade dos respectivos governos. Em termos globais, a Austrália lidera a lista dos maiores doadores. Os donativos públicos e privados atingiram os mil milhões de dólares (cerca de 767 milhões e 600 mil euros).

