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Aviação

Primeiro voo em Lisboa foi há um século mas só percorreu 200 metros

16.10.2009 - 10:23 Por Lusa

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Há cem anos, o primeiro aeroplano que Lisboa viu levantar-se do chão percorreu quase 200 metros antes de cair. O voo, pouco maior do que um “pulo”, desiludiu cerca de cinco mil espectadores, mas marcou o início da aviação portuguesa.

Este pequeno voo do Voisin, avião pilotado pelo francês Armand Zipfel, em Belém, a 17 de Outubro de 1909, “não foi determinante, não deu origem a nada, foi um voo pequenino, há mesmo quem lhe chame 'o pulo de Zipfel', mas foi um marco, o momento em que as pessoas despertaram para a aviação, e a partir daí foi imparável”, explicou à Lusa o historiador aeronáutico Henrique Mateus, autor da colecção “Portugal na Aventura de Voar”, recentemente publicada.

Antes da vinda do piloto francês, já alguns portugueses tinham feito experiências e construído aviões, que nunca deixaram a terra.

Segundo o jornal O Século do dia seguinte à aventura do Voisin, “a saída do aparelho foi imponente e impressionou agradavelmente o público”.

No entanto, o Voisin não rasgou os céus: sobrevoou o chão cerca de 180 metros, a uma altura de cinco a oito metros, “e, depois, caiu desastradamente, mas sem prejuízo do seu piloto, sobre o lado direito da máquina voadora”.

“O público, formado por umas cinco mil pessoas, correu pressuroso a informar-se do desastre, lamentando não ter tido ocasião de averiguar a coragem e perícia do sr. Armand Zipfel num voo maior, a mais altura”, relatava o jornal, adiantando que “a causa do insucesso do aviador atribui-se ao vento, que soprava rijo, e à manobra feita por Zipfel, na ocasião de tentar uma curva na direcção norte”.

A imprensa anunciou mais voos para os dias seguintes, mas nenhum se realizou, sempre por causa do vento, o que levou “a empresa promotora das Festas de Aviação no Hipódromo de Belém a trocar todas as senhas de entrada pelas respectivas importâncias”.

Segundo Henrique Mateus, a assistência do curto voo, naquele dia de Outubro, não teve consciência do que acabava de testemunhar.

“Havia uma tradição de virem a Portugal companhias de balões, com homens e mulheres que voavam, um pouco como nós vemos hoje os circos. Estes espectáculos eram feitos para ganhar dinheiro. Não havia a noção de que se estava a iniciar alguma coisa”, relata.

O voo foi curtinho, falhou e soube a pouco ao público, o que se compreende “se tivermos em conta que nesse ano as pessoas leram nas revistas francesas que um homem tinha atravessado o Canal da Mancha, na distância de 40 quilómetros, a bordo de um avião”.

No entanto, a partir daí, os espectáculos de balões voadores, habituais nos céus portugueses, tiveram os dias contados, porque agora, sobretudo as camadas mais informadas da capital, queriam era ver passar os aviões.

“Aliás a expressão ‘Ó patego, olha o balão!’ é quase desse tempo, porque já todos tinham visto aviões, menos os pategos”, conta.

Os aviões continuaram a vir e em breve começaram a ser formados pilotos no país.

Nos finais do mesmo ano de 1909 surge o Aero Club Português e daí a pouco mais de dez anos “já estavam portugueses a voar e a preparar-se para a conquista das grandes distâncias do mundo”, com os voos transatlânticos dos históricos Gago Coutinho e Sacadura Cabral, nos anos 20 do século passado.

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