Prevenção Rodoviária vai processar Estado por corte de verbas

19.10.2006 - 10:54 Por Sofia Rodrigues, , (PÚBLICO)
O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), Carlos Barbosa, vai recorrer aos tribunais para pedir uma indemnização ao Estado correspondente ao corte de verbas decretado pelo Governo em 2005. Em causa está uma quantia de cerca de 3,6 milhões de euros.
Carlos Barbosa contratou o escritório do advogado Proença de Carvalho para interpor a acção judicial que visa repor à PRP uma verba a que a associação considera ter direito.
O Ministério da Administração Interna (MAI) "aprovou o plano de actividades da PRP em 2005 e chegou ao final do ano e não pagou os seus custos", explica Carlos Barbosa. "O Estado tem de assumir as suas responsabilidades", acrescenta.
A PRP recebia há vários anos uma verba proveniente do Fundo de Garantia Automóvel que é financiado por todos os condutores que pagam seguro. Em 2005, o MAI decidiu alterar o modelo de financiamento das associações que trabalhavam na área da segurança rodoviária.
Cerca de dois milhões de euros provenientes do Fundo de Garantia Automóvel, e destinados a acções de prevenção rodoviária, foram atribuídos à PSP e GNR para a compra de equipamentos de fiscalização.
A restante quantia (um milhão de euros) proveniente do fundo serviu para financiar um concurso público para escolher projectos de segurança rodoviária apresentados por organizações não governamentais. O concurso acabou por ser anulado pelo próprio ministro da Administração Interna, António Costa, por falta de garantias de imparcialidade. O dinheiro foi então gasto na campanha televisiva que recorre à imagem de um avião com crianças para apelar à redução da velocidade nas estradas.
Ameaça de despedimentos
Desde que foi decidido o corte de verbas à PRP que a situação financeira da associação ficou difícil. Por ordem do MAI, a direcção-Geral de Viação atribuiu entretanto à PRP um subsídio extraordinário de 750 mil euros para ajudar a suportar os custos. Segundo Carlos Barbosa, essa verba serviu para pagar os salários dos trabalhadores que estavam em atraso desde Agosto.
O presidente da PRP diz que a alternativa para fazer face às despesas é o despedimento dos trabalhadores e a declaração de insolvência da associação.
Com perto de 60 trabalhadores, a PRP era até à entrada em funções do actual Governo um parceiro estratégico das equipas ministeriais da Administração Interna na área da segurança rodoviária. Os órgãos sociais da associação privada tinham representantes do Estado. O presidente do Conselho Fiscal era, por exemplo, exercido pelo director-geral de Viação.

