A obesidade deve ser combatida "sem piedade" por uma coligação de esforços que junte os hospitais, os médicos, as universidades, o governo e a Direcção-Geral de Saúde, defendeu hoje um especialista.
O presidente da Sociedade Portuguesa para o estudo da Obesidade, Alberto Galvão-Teles, falava à agência Lusa a propósito do 13/0 Congresso Português da Obesidade, que decorre a partir de quinta-feira em Vilamoura, no Algarve, sob o tema "Obesidade: várias faces, um objectivo".
A prevalência da obesidade tem aumentado de ano para ano, em todos os graus, e está a afectar cada vez mais crianças e adolescentes, devido ao estilo de vida dominante nas sociedades modernas, nomeadamente aos maus hábitos alimentares, sedentarismo, stress e ansiedade.
Segundo dados da Sociedade Portuguesa para o estudo da Obesidade, 54 por cento dos adultos em Portugal têm excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) e 15 por cento são obesos, sendo que 30 por cento das crianças são pré-obesas e obesas.
"Obviamente, alguma coisa tem de ser feita", disse Miguel Galvão-Teles. "Se assim não for, dentro de uma década haverá em Portugal muito mais obesos".
Na sua perspectiva, trata-se de "um dos grandes flagelos do século XXI, provavelmente o maior flagelo, uma vez que se pode dizer que [a obesidade] é mãe de muitas outras doenças".
É que não só a obesidade é grave por si só, como está associada a doenças como a diabetes tipo II, colesterol, apneia do sono e hipertensão, que por sua vez estão na origem de doença cardíaca e doença vascular, e consequentemente de morte súbita e morte precoce.
O professor de Endocrinologia jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa referiu como exemplo que 90 por cento dos doentes diabéticos tipo II são obesos e, em grande parte deles, a diabetes desaparece se a obesidade for tratada.
É por isso que o congresso insistirá na importância da prevenção.
"Tudo deve começar na mulher que quer engravidar, que deve perder peso, e na atenção a dar a essa mulher durante a gravidez para que o filho não tenha peso a mais, nem a menos", disse Alberto Galvão-Teles, que salientou também a importância da amamentação com leite materno.
"É muito mais importante fazer a prevenção do que tratar a pessoa quando já é obesa", sublinhou.
Durante o congresso, que decorre até sábado, haverá o primeiro fórum do Observatório da Obesidade e do Controlo do Peso e será lançado o site interactivo "Peso Certo - Menos Peso, Mais Saúde", da responsabilidade do Núcleo de Endocrinologia, Diabetes e Obesidade (NEDO).
O site recorrerá a conselhos de profissionais de saúde para explicar a importância do tratamento, triagem e avaliação clínica da obesidade e dos perigos das doenças associadas, e apresentará sugestões de estilos e hábitos de vida saudáveis, um plano de exercício físico mensal e uma dieta alimentar adequada a cada caso.


