Presidente do Tribunal de Contas diz que reapreciação do pacote de Cravinho é positivo

12.11.2009 - 15:49 Por Lusa
O presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção considerou hoje positiva a intenção do PS de reapreciar o pacote de medidas anti-corrupção que o socialista João Cravinho apresentou no Parlamento em 2006.
"Como presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção entendo que toda a reflexão e todas as medidas que aperfeiçoem os mecanismos de combate à corrupção são dados positivos", declarou Guilherme d'Oliveira Martins aos jornalistas à margem da apresentação em Lisboa do relatório anual do Tribunal de Contas Europeu relativo ao exercício da UE de 2008
Guilherme d'Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas português, escusou-se no entanto a adiantar muitos pormenores.
"Não me quero adiantar uma vez que cabe ao Parlamento uma apreciação e uma ponderação do que está em causa. Eu sempre disse que há que distinguir três aspectos: a política legislativa, a investigação criminal e por fim a prevenção da corrupção", completou.
Sobre a actuação do conselho de prevenção da corrupção, Guilherme d'Oliveira Martins disse que esta "não parou". "Primeiro lançou um inquérito e na sequência desse inquérito lançou aos organismos públicos a necessidade de adoptarem planos de prevenção de risco [de corrupção]", sublinhou.
O líder da bancada do PS, Francisco Assis, admitiu hoje voltar a apreciar o pacote de medidas anti-corrupção que João Cravinho apresentou no Parlamento em 2006.
Em declarações à TSF, Francisco Assis afirmou que “as propostas que foram apresentadas pelo sr. engenheiro João Cravinho podem a cada momento ser objecto de uma reapreciação” pelo grupo parlamentar socialista.
Apesar de o primeiro-ministro ter declarado recentemente que as actuais leis sobre esta matéria são suficientes, o líder parlamentar entende que a revisão se justifica como uma defesa do Estado de Direito.
Em 2006, o pacote anti-corrupção apresentado por João Cravinho foi rejeitado pela bancada socialista e precipitou a sua saída do Parlamento.
Entre as propostas do actual presidente do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimentomais contava-se a criminalização do enriquecimento ilícito. A mesma proposta foi recuperada na última legislatura pelo PSD e pelo PCP e de novo foi chumbada pelo PS, contando com os votos favoráveis do Bloco de Esquerda.
"O problema [quanto ao enriquecimento ilícito] não está na proliferação de figuras criminais, está na aplicação efectiva da lei", considerou hoje Guilherme d'Oliveira Martins.
"Sobre o enriquecimento ilícito, o Conselho [de Prevenção da Corrupção] não se pronuncia, o que entende é que é indispensável cumprir a legislação em vigor", completou.

