O presidente do Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde), Vasco Maria, defende que os medicamentos genéricos "ainda estão caros" em Portugal. E diz "estranhar muito" que a tutela não tenha feito nada para contrariar a proliferação de genéricos para a mesma substância activa, com preços semelhantes e sem vantagens aparentes para os doentes.
Durante um debate sobre política do medicamento organizado pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Vasco Maria considerou anteontem à noite que esta proliferação é "um problema gravíssimo" e adiantou que o Infarmed propôs por diversas vezes à actual tutela e ao anterior ministro da Saúde, Correia de Campos, uma solução (estipulando por exemplo que um novo genérico apenas fosse aprovado se apresentasse alguma mais-valia face aos que já estão no mercado, nomeadamente um preço mais baixo), sem que nada tivesse sido feito, entretanto.
Um dos exemplos desta proliferação é o das sinvastatinas (medicamentos para o colesterol), das quais existem 32 marcas diferentes de genéricos no mercado português.
Antes, o secretário de Estado adjunto da Saúde, Manuel Pizarro - que abriu o debate e depois saiu, não ouvindo as críticas de Vasco Maria -, destacara o facto de uma em cada seis embalagens de medicamentos em Portugal já serem de genéricos, quando há meio ano essa relação era apenas de "uma para cada sete embalagens". Em Setembro passado, a quota de genéricos atingiu os 17,4 por cento em número de embalagens e 18,6 por cento em valor.
Em declarações aos jornalistas à entrada para o debate, Manuel Pizarro assegurou ainda que o gasto com medicamentos não está fora do controlo. Admitiu que nas farmácias está "1,5, 1,6 por cento" acima do que estava previsto (um crescimento anual da ordem dos 2,8 por cento) mas justificou a derrapagem com a recente medida que proporcionou genéricos gratuitos para os pensionistas com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, "cerca de 900 mil pessoas".
O governante desvalorizou ainda as dívidas dos hospitais à indústria farmacêutica, notando que os prazos médios de pagamento rondam actualmente os 110 dias, apesar de o "desejável" ser um prazo inferior a 90 dias. Manuel Pizarro sublinhou também que continua a ser intenção do Governo abrir uma farmácia privada em cada hospital onde exista uma urgência a funcionar 24 horas por dia: "Estão abertas cinco e nos próximos dois, três anos vão abrir mais".


