Presidente do Infarmed considera “provável” que a despesa com remédios ultrapasse limite

26.10.2009 - 09:08
O presidente do Infarmed, Vasco Maria, considera “provável” que a despesa do Estado com medicamentos fique acima dos 3,5 por cento definidos como limite no Orçamento do Estado para 2009.
“Não tenho os dados das projecções, mas penso que, para o ambulatório [medicamentos vendidos nas farmácias], não ficará muito longe, sendo provável que fique um pouco acima”, afirmou o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) à Lusa.
Nos primeiros sete meses do ano, as comparticipações de medicamentos vendidos nas farmácias aos doentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) custaram ao Estado 1.149 milhões de euros, mais 4,4 por cento do que em período homólogo, referem os dados do regulador do sector do medicamento, o Infarmed, relativos a Setembro.
Face aos 1.472 milhões de euros gastos no conjunto do ano passado, um aumento de 3,5 por cento significa mais 51 milhões de euros, ou seja, para se cumprir a meta o gasto total do Estado com medicamentos deveria ser, no final do ano, de 1.524 milhões de euros.
Neste momento, os gastos vão já em 1.149 milhões de euros, um valor 4,4 por cento acima de igual período do ano passado.
Vasco Maria explica o previsível aumento dos gastos do Estado com medicamentos com um conjunto de medidas tomadas pelo Governo - “a majoração [aumento da comparticipação] no caso dos genéricos, que representa um investimento significativo, e programas na área dos diabetes” - e um “maior número de consultas, ligado ao aumento da produtividade dos hospitais”.
“Aliás, nos próprios acordos entre o Ministério e a industria farmacêutica, está previsto que esses tectos poderão ser ultrapassados, mas tem que haver razões para isso”, explicou.
O aumento do consumo dos genéricos também é apontado como uma das causas para a subida dos gastos com medicamentos.
“Os genéricos estão a crescer entre 16 a 17 por cento ao ano num mercado que está estagnado ou a crescer cerca de 1,0 por cento”, afirmou.
Vasco Maria considera que controlar o aumento da despesa com medicamentos “é um problema complexo”.
“A despesa com medicamentos tem que continuar a crescer porque há medicamentos novos, que são mais caros, há mais doentes a ser tratados e há mais doentes idosos”, afirmou.
“A despesa tem que crescer, mas tem que crescer em valores controlados e em valores que sejam justificados do ponto de vista das necessidades do país”, concluiu.

