A presidente do Conselho Nacional da Juventude, Carla Louro, criticou hoje a nova lei orgânica do IPJ, alertando que o Governo retirou aos jovens o poder negocial que detinham em matérias que lhes dizem respeito.
Em declarações à Lusa no final da audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém, a presidente do CNJ, Carla Louro, afirmou discordar da nova orgânica do Instituto Português da Juventude, aprovada em conselho de ministros, em Março, por "acabar com a co-gestão" no conselho de administração daquele Instituto.
"Era o único elemento de co-gestão com o Governo, em que os jovens tinham a possibilidade de votar e negociar matérias que lhes dizem respeito. Com esta lei que está para promulgação foi criado um conselho consultivo e os jovens passam apenas a ser consultados", disse.
"Esta medida do Governo significa um retrocesso de 10 ou 12 anos em Portugal. Perdem os jovens e perde o país que deixa de ter o contributo dos jovens na definição das políticas que lhes dizem respeito", acrescentou.
Carla Louro adiantou que esta semana uma delegação do CNJ irá reunir-se com os grupos parlamentares e com a comissão parlamentar de Educação para pedir aos deputados que proponham a manutenção da co-gestão no IPJ.
"Hoje expusemos a nossa preocupação ao Presidente da República e vamos esta semana falar aos grupos parlamentares e à comissão parlamentar de Educação. Esperamos que algo seja feito", disse.
O Instituto Português da Juventude apoia cerca de 2000 associações juvenis em várias áreas, como o desporto, a cultura, os escuteiros e associações académicas, entre outras, disse Carla Louro.
Um exemplo da importância da possibilidade de os jovens integrarem, com poder de votação, o conselho de administração do IPJ, disse, foi terem conseguido a "diminuição em 15 por cento" dos cortes orçamentais para a área da Juventude, no Orçamento de Estado para 2007, disse Carla Louro.
A presidente do CNJ frisou que as mudanças na orgânica do IPJ "não têm só a ver com os cortes orçamentais" mas sim com "a possibilidade de os jovens participarem e influenciarem nas decisões que lhes dizem respeito".
Carla Louro disse ainda ter anunciado ao Presidente da República a realização de uma cimeira euro-africana da juventude no final deste ano, em parceria com outras organizações juvenis, que terá como temas principais a erradicação da pobreza, a saúde e a educação.


