Presidente do Benfica considerou “infeliz” a absolvição de Pinto da Costa

04.04.2009 - 16:08 Por Lusa
O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, considerou hoje "infeliz" a absolvição de Pinto da Costa no "caso do envelope", referindo que a justiça portuguesa "declarou que alguns podem continuar a agir fora da lei" com "total impunidade".
Na sexta-feira, "infelizmente, ficámos a saber que os presidentes dos clubes de futebol podem receber árbitros em casa na véspera dos jogos, porque, para a justiça portuguesa, trata-se de um acto normal que não merece condenação, nem recriminação pública", disse Luís Filipe Vieira. O presidente dos "encarnados" falava no início de um almoço com adeptos em Almodôvar, após ter inaugurado a Casa do Benfica daquela vila alentejana do distrito de Beja.
Pinto da Costa, o presidente do FC Porto, o empresário António Araújo e o árbitro Augusto Duarte foram sexta-feira absolvidos no "caso do envelope", que foi extraído do processo de corrupção no futebol "Apito Dourado", em que estava em causa um alegado suborno de 2500 euros ao árbitro.
O caso reporta-se ao jogo entre o Beira-Mar e o FC Porto, da época 2003/04, pelo qual o clube "azul e branco" e Pinto da Costa foram punidos pela Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol.
"Abriu-se uma porta que transmite a falsa ideia de certos actos e certas pessoas poderem beneficiar de total impunidade", disse o presidente do Benfica, referindo que "o nosso regime moral sofreu um contratempo".
"Ao contrário de outros, eu não nego a lei, nem quem as faz, mas alguém não anda a cumprir o seu dever, seja porque não sabe, não pode ou não quer", disse Luís Filipe Vieira. Segundo o presidente do Benfica, o tribunal "decidiu uma impossibilidade" e "ficou mesmo a ideia de que a honradez não é necessária e de que os valores éticos e a verdade são dispensáveis".
"Alguns até podem festejar tal sentença, mas não podem esperar ser reconhecidos como gente séria e honesta, porque isso, todos o sabemos, mesmo aqueles que redigiram a sentença, eles não são", afirmou Luís Filipe Vieira, congratulando-se com a "justiça desportiva".
"Felizmente que a justiça desportiva, aplicada igualmente por homens de leis, por juízes, não só foi mais célere, como percebeu aquilo que a justiça comum preferiu ignorar".
De acordo com Luís Filipe Vieira, "é preciso cuidar dos males que corroem a base do nosso futebol" e "imprescindível recuperar a credibilidade das instituições que o representam".

