Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome diz que ajudas europeias podem estar em risco

13.02.2009 - 11:20 Por Lusa
A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome disse hoje esperar que os Estados-membros da UE consigam "ultrapassar o impasse" que está a colocar "em risco" a distribuição de produtos básicos aos mais carenciados nos próximos anos.
Em declarações à agência Lusa, Isabel Jonet disse ter "esperança" que os ministros da Agricultura dos 27 "cheguem a um acordo para proteger as pessoas mais carenciadas" que, "agora mais do que nunca, devido a actual crise económica e financeira, precisam de protecção".
As declarações de Isabel Jonet surgem na sequência do alerta lançado pela Federação Europeia dos Bancos Alimentares, que advertiu que o 'Programa Europeu de Ajuda Alimentar aos mais Necessitados' está "em perigo" devido à posição de sete Estados-membros, que formaram "uma minoria de bloqueio contra a manutenção do Programa para os anos 2010-2013".
Estes países, que a Federação não especifica mas que segundo fonte comunitária contactada pela Lusa "são sobretudo países do Norte da Europa", opõem-se a aprovar o projecto de regulamentação do Programa para esse período.
Caso o 'bloqueio' continue, Isabel Jonet disse ter "receio" de que "muitos produtos essenciais como a massa, o arroz, bolachas e o leite deixem de chegar aos bancos alimentares, também em Portugal, e que as pessoas fiquem mais carenciadas desses produtos".
O 'Programa Europeu de Ajuda Alimentar aos mais Necessitados', que existe há mais de 22 anos, fornece produtos alimentares considerados essenciais aos banco alimentares europeus e a outras organizações de caridade para que estes os possam distribuir aos mais necessitados.
Sublinhando também desconhecer "quais os países que estão a bloquear a regulamentação", Isabel Jonet afirmou que a posição de Portugal sobre esta matéria tem sido favorável: "Sei que o ministro português da Agricultura se manifestou favorável na anterior reunião e não tencionava bloquear", disse.
"Não há outra forma de aceder a estes produtos senão através deste Programa", frisou Isabel Jonet, lembrando que, em Portugal, o Programa tem um "peso muito importante naquilo que é distribuído nos bancos alimentares portugueses e por todos os centros de segurança social".
A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome explicou que após a reforma da Politica Agrícola Comum (PAC) deixou de haver, na Europa, 'stocks de intervenção': "As matérias-primas para as populações carenciadas passaram a ser adquiridas no mercado mas para isso é preciso aprovar um orçamento do Programa, o que ainda não foi feito para os anos 2010-2013", criticou.
"Estamos num momento de crise que torna a ajuda alimentar ainda mais necessária", reiterou Isabel Jonet, lembrando que o 'Programa Europeu de Ajuda Alimentar aos mais Necessitados' foi durante muito tempo, e ainda é hoje em dia, "uma das principais fontes de apoio aos carenciados na Europa e em Portugal".

