Papa encontra-se esta quinta-feira com as IPSS

Presidente da Caritas portuguesa pede “rastilho” para maior intervenção social dos cristãos

12.05.2010 - 21:26 Por Lurdes Ferreira

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De Bento XVI é esperada uma “palavra de esperança” em tempo de forte crise social e económica De Bento XVI é esperada uma “palavra de esperança” em tempo de forte crise social e económica (Rafael Marchante/Reuters)
O presidente da Caritas portuguesa, Eugénio Fonseca, espera que o encontro desta quinta-feira do Papa com as instituições de solidariedade social, em Fátima, “deixe um rastilho” nos cristãos portugueses para uma maior participação social e política.

Se Bento XVI pegar no tema, será a terceira vez que o fará, desde a sua chegada a Portugal, mas ajudará, segundo Eugénio Fonseca, a explicitar a razão pela qual a Igreja investe na acção social. “Gostava muito que cada cristão fosse um político”, diz o responsável português pelo braço da igreja católica para a acção social, em declarações ao PÚBLICO.

“É uma das formas mais radicais de exercer a solidariedade. Não é uma questão de partidos, é de defesa do bem comum”, sublinhou. Sem separações, “os portugueses têm que se voltar para uma maior participação cívica, sobretudo em situação de crise”.

O apelo à maior mobilização cívica e social não será pacífico, por reconhecer equívocos instalados. “Choca com interesses particulares e corporativos, choca quem tem uma visão misticista da Igreja e quem esquece a sua missão transcendente”.

Um exemplo vem das críticas ao facto de 59 por cento das receitas das instituições sociais católicas virem do Estado. “A Igreja não tem que ter preconceito do dinheiro que recebe do Estado. O dinheiro é dos portugueses. O Estado não é proprietário dos bens, é administrador”.

O que cabe ao Estado, acrescenta, é “uma função reguladora e fiscalizadora coerente” e isso “a Igreja tem de aceitar”.

De Bento XVI espera ainda uma “palavra de esperança” em tempo de forte crise social e económica.

Sem medo da palavra caridade, porque “não é assistencialismo, comiseração nem gerir a pobreza dos pobres”, o presidente da Caritas portuguesa mostra-se preocupado em especial com três efeitos da crise: a ansiedade de quem está desempregado, a falta de espaço na economia para as actividades artesanais e as dificuldades das famílias afectadas pelas novas doenças degenerativas da terceira idade.

A ansiedade “gera problemas de saúde mental que crescem em lume brando”. Por outro lado, sem um novo modelo económico e “sem regulação”, as pequenas actividades económicas não resistem, apesar de poderem ser uma fonte de substituição do emprego destruído pelas empresas, acrescenta.

Quanto aos idosos afectados por doenças como Alzheimer, afirma que a sociedade não está preparada para o problema. Às instituições, faltam “recursos humanos e técnicos suficientes para estas situações”, enquanto as famílias vivem “estes dramas em isolamento, por não acreditarem no sistema ou por vergonha da condição social” e quando recorrem às instituições “já não encontram resposta” pela gravidade da situação.

Para além de defender o desenvolvimento do voluntariado de proximidade, através das relações de vizinhança, que possa alertar para estes casos mais cedo, o presidente da Cáritas portuguesa quer que o Governo recupere a prática dos subsídios eventuais, concedidos através do fundo de emergência, e não se limite ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Esta é “uma medida meritória da acção social do Estado, mas apenas direccionada para os casos extremos de pobreza” e não responde às novas situações de desemprego.

Os subsídios eventuais foram aplicados em Setúbal, nos anos da crise de 1985 que atingiu a região, no governo de Mário Soares, e serviram para as famílias afectadas “não irem ao fundo”. Eugénio Fonseca sustenta que esses subsídios eventuais estão na origem do sucesso do plano. As famílias carenciadas eram apoiadas financeiramente ou então em géneros. Até a oferta de uma máquina de tricotar podia fazer a diferença no rendimento de uma família em crise.

A Cáritas é a instância oficial da Igreja Católica para a sua acção social, contando com mais de quatro mil paróquias. Outras organizações ligadas à Igreja são os centros sociais e paroquiais, as santas casas da misericórdia, a conferência de S. Vicente de Paulo e a legião de Maria. Não há estatísticas disponíveis sobre a dimensão destas entidades em Portugal.

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Separação da Igreja e do Estado

Está na Constituição!!! A Igreja pode e deve receber os donativos que quiser, dos ...

JSM

13.05.2010 02:11

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