Presidente da câmara de Ourique "desapontado" com declarações de presidente do INEM

08.07.2008 - 15:01 Por Lusa
O presidente do município de Ourique, Pedro do Carmo (PS), manifestou-se hoje "surpreendido" e "desapontado" por o presidente do INEM ter admitido poder ser desnecessário o helicóptero de emergência prometido para este concelho alentejano.
"Estou perfeitamente desapontado, desiludido e surpreendido com as declarações do presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM)", disse Pedro do Carmo, em declarações à agência Lusa.
O autarca explicou que "ainda na semana passada" recebeu garantias da Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS Alentejo) de que os "três novos helicópteros, nomeadamente o de Ourique, estavam para adjudicação".
"Os helicópteros estavam vários meses atrasados, mas, apesar de preocupado com os atrasos, compreendi as dificuldades financeiras e estava disposto a esperar mais um mês ou dois. Agora, é lógico que esta posição do presidente do INEM caiu como uma bomba", frisou.
O presidente do INEM, Abílio Gomes, admitiu hoje, em entrevista à rádio Antena 1, que podem ser desnecessários os helicópteros de emergência que estavam previstos para o Alentejo, Trás-os-Montes e Beira Alta devido à decisão de manter abertas algumas urgências médico-cirúrgicas.
Abílio Gomes disse que está a ser feito um estudo que poderá demonstrar que os três helicópteros previstos para Ourique, Macedo de Cavaleiros e Aguiar da Beira são agora desnecessários.
"[Os helicópteros] foram perspectivados no pressuposto de uma determinada perspectiva de rede de pontos de referenciação de urgência(...) Houve uma nova adaptação dos pontos de rede e os pressupostos que levaram à expectativa de novos meios aéreos já não se verificam. Tinha a ver com alguns encerramentos de urgências médico-cirúrgicas que não foram efectivados", disse.
Questionado directamente sobre se esses meios aéreos podem ser redundantes ou desnecessários, o responsável referiu que o INEM está "aberto" a que o estudo em curso dê essa indicação.
Confrontado pela Lusa sobre estas declarações, o presidente do município de Ourique disse esperar agora "uma resposta do Ministério da Saúde" porque "havia um compromisso político assumido" e "o INEM não manda nada".
"Não estou habituado a que o Governo nos trate assim. O Governo diz uma coisa, quando o então ministro Correia de Campos assumiu a promessa dos três helicópteros, e o INEM vem dizer outra? É completamente absurdo", criticou.
Para Pedro do Carmo, "ano e meio depois da promessa governamental não é tempo para repensar coisa nenhuma" e, caso o INEM não coloque um helicóptero em Ourique, "toda a estratégia de cuidados de emergência no distrito de Beja tem que ser repensada".
"Estou a fazer obras no Centro de Meios Aéreos local para receber o helicóptero. Quem me paga essas obras, se o helicóptero não vier? E a proposta de cuidados de emergência foi aceite por todos os autarcas com base em determinados pilares. Se um dos pilares falhar, temos que repensar essa organização", avisou.

