O presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, reeleito a 15 de Abril, criticou hoje as opções que o bastonário Marinho Pinto tem tomado no sentido de “bloquear o acesso à profissão de advogado”.
Em declarações à Lusa, Gonçalo Carrilho, que quarta-feira toma posse, disse que, na cerimónia, irá proferir “duras críticas” à actuação do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, personalizando no bastonário os erros da Ordem, “comprovados pela declaração de inconstitucionalidade do exame, por exemplo”.
“Mas, pior, a recente alteração das taxas e emolumentos ou a declaração de que proporá a alteração dos Estatutos da Ordem de modo a que passe a ser necessário Mestrado para ingressar na Ordem é revelador de uma declaração de guerra aos estudantes de Direito, seus potenciais colegas”, afirmou o dirigente estudantil.
Gonçalo Carrilho considerou ainda que “os argumentos utilizados (falta de preparação dos estudantes, cursos de Direito sem qualidade), deveriam ser dirigidos ao Ministério do Ensino Superior e à Agência de Acreditação”.
“A Ordem não pode, nessa medida, tornar-se centro de acreditação de licenciaturas, discriminando estudantes "pós-Bolonha" em relação aos "pré-Bolonha", dada a violação do princípio da igualdade que isso acarreta”, sustentou.
No discurso que proferirá na tomada de posse, Gonçalo Carrilho criticará também os apelos do bastonário “à não comparência dos eleitores no dia do ato eleitoral para as legislativas”.
“Num período de crise, em que o futuro do País está fortemente comprometido, descredibilizam a Ordem, e os advogados que representa, afastando-a de qualquer influência nas principais decisões nacionais", acrescentou.
Gonçalo Carrilho foi reeleito presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, a 15 de Abril, com “600 dos 1.500 votos totais”.


