Portugueses são os que afirmam menos intenções de votar, a um ano do escrutínio europeu

11.07.2008 - 20:43 Por Sofia Branco
Com o preço dos combustíveis e dos alimentos a aumentar, o resultado do Eurobarómetro do Parlamento Europeu sobre as eleições europeias de 2009 não gera surpresa. As questões que mais preocupam os europeus são as económicas e quatro em cada dez inquiridos afirma querer vê-las no topo da discussão durante a campanha.
Entre o “conjunto de preocupações económicas”, que deve ser prioridade de campanha para 40 por cento dos inquiridos, a subida de preços e a inflação surge em primeiro lugar – o que acontece pela primeira vez –, seguidas do desemprego, do crime e da situação económica.
A valorização das questões económicas está relacionada com a “boa ou má situação económica nacional”, verificando-se “diferenças assinaláveis” entre os vários Estados-membros, assinala o Eurobarómetro especial, divulgado hoje.
O segundo tema que os europeus querem ver discutido na campanha para as europeias prende-se com os “receios relacionados com fenómenos mundiais” – insegurança, terrorismo, alterações climáticas e imigração.
“As eleições europeias não estão claramente nos pensamentos centrais dos cidadãos”, reconhece o inquérito, sublinhando ainda que as pessoas manifestam mais preocupação com questões que ultrapassam a esfera de poder do Parlamento Europeu – como o desemprego, o crescimento económico e o poder de compra.
Desinteresse é maioritário
A maioria dos inquiridos (51 por cento) parece não estar interessada nas eleições europeias, reflecte o Eurobarómetro da Primavera. Só em onze Estados-membros é que a maioria está interessada no escrutínio. Em Portugal, 50 por cento dos inquiridos afirmam-se desinteressados. A Letónia e a República Checa apresentam os maiores índices de desinteresse. Os homens são mais interessados do que as mulheres e os inquiridos com menos escolaridade são os menos interessados.
Os que têm mais instrução declaram mais intenção de votarem. Foi feita uma escala de intenção de voto de 1 a 10, entre o “definitivamente não vou votar” (14 por cento) e o “definitivamente votarei” (30 por cento). Mas, “a um ano das eleições, estes resultados indicam apenas uma tendência inicial”, sublinha a sondagem. Aliás, as percentagens de abstenção nas eleições europeias têm sido superiores a 14 por cento.
Os portugueses são os que assumem menor probabilidade de irem votar (14 por cento), enquanto os luxemburgueses são os que dão mais garantias de o fazerem (68 por cento).
Entre as pessoas que afirmam improvável ou pouco provável irem votar, a principal razão prende-se com a crença de que o seu voto “não mudará nada”, seguida do “conhecimento insuficiente sobre o Parlamento Europeu” e do “desinteresse pelas eleições europeias”.
Na apreciação sobre a decisão de voto, a experiência do candidato em assuntos europeus é privilegiada, mas as posições do deputado e do partido ao qual este está ligado sobre questões nacionais prevalecem sobre as posições quanto às questões europeias.
Só 16 por cento dos inquiridos revelou saber quando se realizam as próximas eleições europeias (um aumento de seis por cento face ao último inquérito, no Outono de 2007), 75 por cento não responderam e nove não acertaram na resposta. Em Portugal, 18 por cento responderam certo, mas 79 por cento não responderam.
O Eurobarómetro tentou ainda responder à questão: “São estas eleições verdadeiramente europeias?”, tendo concluído que “as dimensões nacionais” influenciarão o voto em 2009, aliás como se tem verificado sempre.
Entre as instituições europeias, o Parlamento Europeu continua a ser visto como a mais fiável, seguido do Banco Central Europeu (cujo índice de confiança, curiosamente, subiu), da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.

