Escola Nacional de Saúde Pública ouviu 200 famílias

Portugueses procuram “culpados” para a gripe A, o que “pode gerar injustiças”

17.07.2009 - 23:56 Por Catarina Gomes

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“Não podemos ser injustos”, alerta Constantino Sakellarides “Não podemos ser injustos”, alerta Constantino Sakellarides (Rui Gaudêncio (arquivo))
Passou-se das “teorias da conspiração” e “cepticismo” sobre a gripe pandémica para uma maior procura de informação e de adaptação de comportamentos. Mas está-se a cair num erro: “A procura de culpados”, alerta o primeiro relatório produzido pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) sobre a resposta à gripe A (H1N1).

Os portugueses perceberam que a nova estirpe pandémica é um assunto sério e que é preciso agirem para se defenderem da infecção, constata Constantino Sakellarides, professor da ENSP e coordenador do estudo. Este é um aspecto positivo que fez avançar as reacções sociais à gripe de uma fase inicial em que havia muitas “teorias da conspiração” e acusações de alarmismo infundado a circular, nota.

Auscultando cerca de 200 famílias e uma dezena de empresas constatou-se a mudança, suscitada sobretudo por três situações: a aceleração de casos importados em Portugal, informação vinda do Reino Unido de casos de pessoas supostamente saudáveis que morreram e o fecho de uma escola em Lisboa depois do contágio de cinco crianças.

Um dos “pontos problemáticos” da resposta social tem sido a tendência para “a procura de culpados”. No caso da escola fechada, houve várias reacções de culpabilização dos pais que colocaram o filho na escola depois de regressarem de uma viagem ao México, refere.

“Culpabilizar não faz muito sentido, porque pode dar origem a injustiças óbvias”, lê-se no documento, até porque, muitas vezes, as pessoas não têm conhecimentos suficientes para absorver a informação de forma correcta, diz o investigador. Sakellarides lembra que diferentes pessoas têm diferentes níveis de literacia e, portanto, de capacidade de compreender as mensagens. “Não podemos ser injustos.”

Outra das tendências em termos de reacção é “o apelo à acção coerciva”, ou seja, à ideia da imposição de comportamentos. O investigador diz que neste tipo de doença, “em que se está doente durante cinco dias e depois se fica bem”, a coerção pode ser “contraproducente” porque pode levar “à ocultação” das situações.

A evitar é também a ideia de que existem respostas universais para evitar a gripe, como não ir a parques infantis ou não viajar, por exemplo. O ideal é que a informação seja adaptada a cada caso concreto, defende. Por exemplo, “não podemos dizer de forma genérica que Espanha tem uma pandemia” e que deve ser evitada como destino.

O investigador explica que a grande maioria dos casos de infecção provém das ilhas Baleares — hoje, quatro dos novos casos tinham esta origem — mas há muito contacto de portugueses com Madrid e a Andaluzia. “A decisão tem que depender de informação mais fina sobre os sítios afectados.”

O último balanço aponta para 121 casos registados em Portugal — dez são novas infecções, incluindo um terceiro caso, de um atleta brasileiro, nos Jogos da Lusofonia.

A Escola Nacional de Saúde Pública, em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde, está há dois meses a analisar a resposta social à transmissão, “para que os comportamentos da comunidade se adaptem à situação epidemiológica”. Haverá mais duas avaliações nos próximos meses.


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E os porcos?

Procurar culpados é sempre bom, mais que não seja para sabermos as origens das coisas. De facto, ...

Gualter

20.07.2009 10:11

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