Portugueses confiam mais nas polícias mas cada vez menos nos tribunais

29.10.2008 - 11:17 Por Lusa, , com PÚBLICO
Quase metade dos portugueses acham Portugal "razoavelmente seguro" e a maioria acredita nas forças de segurança, mas manifesta "pouco confiança" nos tribunais, segundo um relatório do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, OSCOT, que é hoje apresentado.
O Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) apresenta hoje o relatório anual de segurança em que avalia a situação interna, tendo por base duas sondagens realizadas em Março e em Setembro.
A primeira abrangeu o Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira com 1.525 inquiridos, enquanto a segunda recorreu a 1010 entrevistados em Portugal Continental.
Segundo o documento e tendo em conta a média das duas amostragens, cerca de 44 por cento dos inquiridos considerou Portugal "razoavelmente seguro", enquanto para 12 por cento é mesmo "muito seguro", apesar do sentimento de insegurança ter aumentado quatro por cento em seis meses.
À pergunta "Acha que Portugal é um país seguro?", 39 por cento dos inquiridos considerou o país "pouco seguro" em Março, percentagem que sobe para 43 por cento em Setembro, refere o documento.
Em Março, para 45 por cento dos portugueses, o país era "razoavelmente seguro", enquanto passado seis meses a percentagem desceu para 43 por cento.
Foi de Março a Setembro que o país conheceu um aumento da criminalidade, sobretudo nos meses de Verão.
O estudo indica, também, que 58,7 por cento acreditam na "eficácia" das forças de segurança, enquanto 41,3 por cento "não confia".
O Sindicato Nacional de Polícia (SINAPOL) congratulou-se hoje com a confiança manifestada pelos portugueses nas forças de segurança, numa altura em que o país registou um aumento da criminalidade violenta.
"Fico contente em observar que a maioria dos cidadãos em Portugal se sente contente com a polícia que tem, mesmo perante uma evolução da criminalidade", disse à agência Lusa o presidente, que deixou ainda um "obrigado" à população pela confiança está a depositar nas forças policiais que têm evitado que "Portugal se torne um país sem lei".
Pouca confiança na justiça
De acordo com o mesmo relatório, 58 por cento dos portugueses manifestaram "pouca confiança" nos tribunais, tendo mesmo 21 por cento revelado "nenhuma confiança".
Em contraponto, 13 por cento expressaram "muita confiança" na actuação da Justiça portuguesa e oito por cento não responderam ou emitiram qualquer posição.
O estudo do OSCOT mostra, igualmente, que "as grandes preocupações dos portugueses se encontram focadas sobretudo com a segurança física e patrimonial".
Ouvida pelo Rádio Clube esta manhã, a Associação Sindical de Juízes diz que a divulgação do estudo serve apenas para justificar a falta de segurança que os portugueses na realidade sentem. O presidente, António Martins, recorda que o observatório foi fundado pelo actual ministro da Administração Interna, Rui Pereira, facto que confere falta de credibilidade a este estudo.
"Parece pouco credível que o observatório, criado pelo ministro da Administração interna quando ainda não o era, venha agora com estes números que parecem querer justificar o que era apontado na sociedade portuguesa como a falta de segurança sentida pelos cidadãos", disse António Martins.
O OSCOT, organização presidida pelo general Garcia Leandro, é uma associação científica e cultural da sociedade civil sem fins lucrativos que tem como objectivo a investigação, o ensino, o debate e a divulgação das questões de segurança.

