Portugal tem o maior número de novos casos de sida entre toxicodependentes da Europa

06.11.2008 - 10:55 Por Amílcar Correia, em Bruxelas
O relatório anual da evolução dos consumos de droga na União Europeia coloca Portugal como o país com o maior número de casos detectados de VIH-Sida entre os toxicodependentes.
As estimativas hoje anunciadas em Bruxelas por Wolfgang Goetz, director do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT) apontam para a existência de cerca de 3 mil novos casos na União Europeia, em 2006, dos quais 703 foram notificados em Portugal.
No entanto, a tendência tem sido decrescente em Portugal desde 2005. Mesmo assim, este número é particularmente elevado, uma vez que países de maior dimensão populacional como o Reino Unido e a Alemanha registaram, respectivamente, 187 e 168 casos. O mesmo relatório refere que Portugal, a par da Espanha e Itália, é o país com a maior taxa de mortalidade causada pela sida entre consumidores por injecção. Em Portugal, a droga em geral é a causa da morte de um consumidor dia sim, dia não.
Heroína provoca uma overdose por hora
O surgimento de novos consumidores de heroína e a existência de novos opiáceos sintéticos constituem as principais preocupações deste relatório anual do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência hoje apresentado. O documento, que colige dados dos 27 estados-membros da União Europeia, Turquia, Cróacia e Noruega, refere que o consumo de heroína estabilizou (existem entre 1,3 e 1,7 milhões de consumidores problemáticos), quando nos últimos anos tinha vindo a registar descidas sucessivas. A produção anual deste opiáceo bateu novo recorde em 2007 (730 toneladas) e aumentaram as apreensões e o número de mortes atribuídas a esta substância responsável por uma overdose fatal a cada hora, como recordou hoje Wolfgang Goetz. As estimativas referem que morrem entre 7000 a 8000 pessoas, todos os anos, devido ao consumo de droga, sendo que a heroína é a principal substância relacionada com estes óbitos. “A overdose é uma das principais causas de morte entre os jovens europeus”, sublinha Goetz.
A heroína mantém-se um problema sério de saúde pública, de elevados custos sanitários e sociais: 60 por cento dos utentes em serviços de tratamento na Europa são ou foram consumidores deste opiáceo e mais de 40 por cento dos toxicodependentes que iniciaram tratamentos em ambulatório confessaram que a usam por injecção. O opiáceo sintético mais conhecido e preocupante é um analgésico, o fenatil, mais potente que a heroína e 80 vezes mais potente que a morfina. Trata-se de drogas de uso médico que foram desviadas ou fabricadas ilegalmente em países nas fronteiras da UE e cujo consumo tem vindo a crescer na Estónia, Lituânia e Letónia.

