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Saúde

Portugal sem normas para injectáveis nos olhos

24.07.2009 - 09:09 Por Andreia Sanches, Mariana Oliveira

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A Sociedade Norte-Americana de Oftalmologia define como devem ser dadas as injecções e manuseado o fármaco, mas por cá não é assim A Sociedade Norte-Americana de Oftalmologia define como devem ser dadas as injecções e manuseado o fármaco, mas por cá não é assim (Paulo Pimenta)
Em Portugal, ao contrário dos Estados Unidos, não existem normas que definam como devem ser manuseados os fármacos como o Avastin, que foi injectado nos olhos de seis doentes que perderam a visão e correm o risco de ficar cegos. O director do Hospital de Santa Maria, Correia Cunha, adiantou ontem, numa nota de imprensa, que dois pacientes registam melhorias clínicas e os restantes quatro mantêm um quadro estável. O director do Serviço de Oftalmologia deste hospital, Monteiro Grilo, garante que as injecções são preparadas cumprindo todas as regras de assepsia.

O oftalmologista João Galvão, também doutorado em farmacologia, considera grave que ainda não existam normas que definam como é que se deve manusear este tipo de fármacos, injectados nos olhos. "O Avastin vem nuns frascos/ampolas que tem uma porção muito superior àquela que é injectada nos olhos dos doentes. Cada ampola custa à volta de mil euros, logo para rentabilizar o custo da embalagem subdivide-se o fármaco", explica o oftalmologista. E acrescenta: "É na subdivisão que está o risco da infecção. Cada frasco tem 3,5 centímetros cúbicos, mas um doente só deve receber um décimo de um centímetro cúbico". No Santa Maria um frasco serviu para tratar seis doentes, dois em ambos os olhos e quatro num só.

A Sociedade Norte-Americana de Oftalmologia definiu normas para o manuseamento destes fármacos. A utilização de câmaras de fluxo laminar, que filtram o ar e permitem reter 99,9 por cento dos micróbios, é uma das exigências quando se procede à subdivisão do medicamento.

Monteiro Grilo garante que essa é uma regra seguida na farmácia do Santa Maria, onde se preparam as injecções que chegam ao bloco operatório através de umas mangas esterilizadas. "Já vem a seringa com a agulha preparada, os médicos só têm que dar a injecção", afirma. O oftalmologista não ignora, contudo, que há locais em Portugal que injectam Avastin sem condições de assepsia.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO), António Travassos, reconhece que não existem normas no país. "A Sociedade Norte-Americana é a mais bem organizada a nível mundial. É normal que esteja na vanguarda", justifica. Porque não adoptamos as suas regras? "Uma percentagem enormíssima dos médicos são responsáveis e cumprem o que está estabelecido pela comunidade científica", responde.

Quanto à questão da não indicação do Avastin no campo oftalmológico, os três especialistas e mais três já ouvidos pelo PÚBLICO desvalorizam o problema e falam em guerra comercial. "Já piquei 1470 olhos com o Avastin e até hoje não tive qualquer complicação. Estou certo que é fiável", insiste Travassos.

Confrontado com a notícia da rádio Renascença que a Agência Europeia do Medicamento considera que o Santa Maria actuou em desacordo com as recomendações relativas ao Avastin, o presidente da SPO reage: "Quem fez essa declaração? Foi um burocrata de certeza".

Florindo Esperancinha, presidente do colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, diz que há "centenas de medicamentos" que são utilizados para tratar um problema distinto daquele para o qual foram concebidos. É a "utilização off-label" e existe ainda quando medicamentos que foram testados para adultos são utilizados em crianças, continua.

O médico defende que o Infarmed e o Ministério da Saúde deviam "definir que medicamentos usados off-label podem ser usados e em que circunstâncias". Ou seja, deveria haver uma lista de medicamentos, ou de grupos de medicamentos, que tendo expresso na bula que servem para tratar a doença "x" também podem ser usados para a patologia "y".

Mas o Infarmed optou por não fazê-lo pelo menos quanto ao Avastin. "No que respeita à utilização do fármaco para outras situações diversas das aprovadas no dossier de autorização de introdução no mercado, a decisão de manter ou não o uso deste medicamento, como qualquer outro usado nas condições referidas, é da competência dos responsáveis das instituições hospitalares, nomeadamente as comissões de farmácia e as comissões de ética", afirma Carlos Pires, assessor do Infarmed.

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Comentário + votado

onde está a novidade ?

Mas alguém não tinha reparado ? Andamos todos ceguetas . Alguns mais cagarolas , atiram-nos areia ...

fernando

25.07.2009 14:22

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