Portugal está entre os 12 Estados-membros da UE que importaram carne de porco da Irlanda

08.12.2008 - 12:23 Por Lusa, PÚBLICO
A Comissão Europeia indicou hoje que Portugal se encontra entre 12 Estados-membros da União Europeia que importaram carne de porco da Irlanda, actualmente a ser retirada do mercado devido à possível contaminação com dioxinas tóxicas.
A porta-voz da Saúde, Nina Papadoulaki, anunciou hoje em Bruxelas que, através do “Sistema de Alerta Rápido da União Europeia para Rações e Alimentos”, entretanto lançado, foi já disponibilizada uma lista dos países que receberam carne ou produtos suínos derivados da Irlanda, e que inclui 12 Estados-membros da União Europeia e nove países terceiros.
Os países da UE eventualmente afectados, e que por isso deverão também adoptar medidas, são a Alemanha, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Holanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia, apontou.
Ministro da Agricultura nega riscos para a saúde
O Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Jaime Silva, informou hoje que a Direcção-Geral de Veterinária vai identificar os locais para onde foi enviada a carne de porco importada da Irlanda.
“A Direcção-Geral de Veterinária já está a caminho da empresa importadora da carne, que fica situada em Vila do Conde, para proceder a identificação dos locais que receberam a carne de porco importada da Irlanda”, declarou o Ministro à imprensa.
Jaime Silva reafirmou que não existe perigo para a saúde pública, já que foram apenas 30 toneladas dentro das 440 mil toneladas de carne de porco consumidas no país. “A carne que está no mercado é perfeitamente segura, não há riscos para a saúde”, acrescentou o Ministro.
De acordo com o Anuário Pecuário de 2006/2007, Portugal importou em 2005, da Irlanda, cerca de 690 toneladas de carne de suínos (fresca, refrigerada ou congelada).
De resto, é Espanha quem fornece o grosso da carne importada que os portugueses consomem (94 por cento das 142 mil toneladas que no ano passado entraram no país provenientes do estrangeiro). Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Agricultura não forneceu ontem números mais actualizados.
Comissão Europeia acompanha situação
A porta-voz da Saúde da Comissão Europeia especificou que foram as autoridades veterinárias irlandesas a fornecer a lista dos países que receberam carne de porco irlandesa, tendo mesmo indicado as empresas às quais se dirigiram os produtos.
Ontem, a Comissão Europeia já anunciara que iria acompanhar de perto a retirada do mercado de toda a carne de porco manufacturada e distribuída na Irlanda desde Setembro, para garantir a protecção da saúde pública.
A Comissão anunciou também que iria ainda marcar uma reunião com as autoridades competentes dos Estados-membros que possam ser afectados por esta situação para que sejam aplicadas medidas idênticas.
Neste sentido, o “Sistema de Alerta Rápido da União Europeia para Rações e Alimentos” faculta informação detalhada sobre a carne e os produtos suínos possivelmente contaminados que possam ter sido distribuídos noutros Estados membros ou em países terceiros.
As autoridades irlandesas detectaram dioxinas tóxicas em porcos de nove quintas irlandesas, que estavam no matadouro, o que levou à ordem de retirada de produtos suínos que foram comercializados, sobretudo nas ilhas britânicas.
Salsichas, fiambre, pâtés, pizzas, refeições pré-cozinhadas podem também estar contaminadas, ou seja, todo os produtos crus ou cozinhados à base de porco e bacon irlandeses devem ser evitados, afirma ainda a Autoridade Irlandesa.
Autoridades irlandesas falam em “risco mínimo
A Autoridade Irlandesa de Saúde Alimentar salientou hoje que a medida é apenas de precaução e garantiu que o risco para a população é mínimo.
Bruxelas referiu que os resultados das análises confirmaram sábado a presença de “níveis muito altos” de dioxinas na carne de porco – cerca de 100 vezes superiores ao máximo permitido pela União Europeia.
Uma exposição às dioxinas por um largo período de tempo pode ter efeitos adversos para a saúde. Já uma exposição por curto período de tempo dificilmente é prejudicial.

