Ainda há pouca informação sobre a nova estirpe do vírus da gripe suína que terá deixado cerca de 70 pessoas mortas no México e onze infectadas nos Estados Unidos. Algumas perguntas e respostas:
Por que é que este vírus é pior no México do que nos Estados Unidos?
Os peritos simplesmente não sabem dizer porque é que o vírus matou já mais de 60 pessoas no México mas não causou nenhuma morte nos EUA, onde das onze pessoas com casos confirmados já estão curadas (é o caso de oito) ou em recuperação, diz o "Washington Post".
O vírus é o mesmo nos dois locais, mas os peritos não descartam a hipótese de haver mais algum no México que se associe, em alguns casos, e piore as infecções. Outras hipóteses são ter havido mutações no vírus, mesmo sendo ele o mesmo, ou factores como a pior nutrição no México, pior qualidade do ar ou pior acesso a cuidados médicos. Tudo isto, em teoria, poderia fazer com que a mortalidade seja mais elevada no México.
Qual é a taxa de mortalidade do vírus?
Esta é uma das questões mais importantes que não tem resposta. Não se sabe ainda qual a relação entre as pessoas infectadas e as que acabaram por morrer. Para já, o cenário parece negro: segundo o "Post", cerca de 70 mortes entre 1000 casos representa uma taxa de mortalidade de cerca de 7 por cento. A pandemia da gripe espanhola de 1918-19, que matou, estima-se, 40 milhões de pessoas em todo o mundo, teve uma taxa de mortalidade de apenas 2,5 por cento.
Mas os especialistas alertam que é possível que as autoridades só tenham estado atentas a casos com os sintomas mais graves, e que não tenham contabilizado pessoas com sintomas leves a moderados (como foram os casos norte-americanos), que entretanto tenham recuperado.
Por que afecta mais os jovens adultos?
As epidemias e pandemias de gripe mais graves afectavam sobretudo jovens adultos saudáveis, ao contrário das gripes “normais”, que matam sobretudo os mais frágeis, bebés e idosos. Esta gripe está também a afectar, sobretudo, jovens adultos saudáveis.
A razão para que estirpes especialmente violentas dos vírus da gripe afectem mais este grupo tem a ver com duas razões:
A primeira é que as pessoas saudáveis podem responder com uma reação imunitária forte ao vírus, que pode voltar-se contra elas próprias, causando problemas pulmonares. Isto aconteceu no caso da pneumonia atípica verificada no Inverno de 2002/2003, com um novo tipo de coronavírus, que fez vítimas sobretudo na Ásia e no Canada, embora se tenha espalhado rapidamente a todo o mundo.
A segunda é que o sistema imunitário dos mais velhos pode já ter estado em contacto estirpes mais ou menos semelhantes a este vírus da gripe suína, e por isso têm já um certo grau de resistência à nova estirpe H1N1 que está a causar este surto.
Por que é que a actual epidemia já não se pode conter?
Os Centros para o Controlo e Prevenção das Doenças, a autoridade norte-americana encarregada da saúde pública, avisava já ontem que os casos estavam espalhados geograficamente e era demasiado tarde para medidas de contenção – em que se estabelecesse um perímetro em volta dos afectados, se estabelece uma quarentena e se trata todos os que estão no local com medicamentos antivirais. Havia nos então oito casos confirmados três grupos, a viver em locais diferentes, e que não tinham tido contacto directo entre si. Isto queria dizer que o vírus já estava demasiado espalhado para poder ser “contido”.
Por que é que tem potencial para ser uma pandemia?
A Organização Mundial de Saúde avisou para o potencial de causar uma epidemia global (pandemia)deste vírus. Ele cumpre os três requisitos: é uma nova estirpe viral (esta combinação genética nunca tinha sido vista anteriormente), é transmissível de pessoa para pessoa (o contágio entre pessoas do vírus clássico da gripe suína era raro, na nova estirpe parece fácil) e, finalmente, causa doença grave (já morreram quase 70 pessoas no México).


