Poluição: um terço das urgências pediátricas em Lisboa deve-se a doenças respiratórias

11.05.2006 - 17:59 Por Lusa
Mais de um terço das urgências pediátricas em Lisboa deve-se a doenças respiratórias, parecendo haver coincidência entre as zonas mais poluídas da cidade e a frequência no atendimento a estas patologias, revela um estudo hoje divulgado.
O estudo incidiu sobre os efeitos das partículas inaláveis na cidade de Lisboa, em termos de qualidade e saúde, e usou dados relativos às doenças respiratórias diagnosticadas na urgência pediátrica do Hospital de Dona Estefânia, que abrange uma população de 344 mil dos 560 mil habitantes de Lisboa.
"Parece haver coincidência entre as zonas mais poluídas e a frequência no atendimento a doenças respiratórias", afirmou Francisco Ferreira, um dos elementos da equipa que elaborou o documento, durante a apresentação que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian.
A distribuição de concentrações urbanas de partículas inaláveis (designadas por PM10) indica que estas são mais elevadas no eixo central da cidade, delimitado a Norte pela freguesia do Lumiar e a Sul pelas freguesias do Castelo e Campo de Ourique.
Os níveis de PM10 parecem estar relacionados com a maior concentração de tráfego rodoviário ao longo deste eixo, e ao facto de se tratar de uma zona de menor altitude e, por isso, com piores condições de dispersão.
O estudo avaliou a procura da urgência pediátrica no Hospital de Dona Estefânia nos primeiros sete dias de cada mês (84 dias de amostragem no ano de 2004) e determinou que dos 17.242 atendimentos, 5100 (35,5 por cento) foram causados por doenças respiratórias que afectam, sobretudo, a faixa etária do um aos quatro anos.
Dois terços do total de partículas recolhidas são constituídas por mate riais provenientes do tráfego rodoviário e material crustal (solo).
Os eventos naturais, como o arrastamento de partículas dos desertos do Norte de África ou os incêndios, foram associados aos piores picos de concentração de PM10, embora Lisboa apresente um nível de partículas inaláveis muito elevado à escala europeia devido ao tráfego automóvel.
Em termos médios, as concentrações de PM10 aumentam a partir das 06h00-07h00 horas da manhã e diminuem a partir das 20h00-21h00.
O estudo conclui também que, geralmente, a qualidade do ar medido no interior dos edifícios é pior do que no exterior, o que se explica através do contributo de fontes de partículas internas, como o fumo do tabaco.
A equipa responsável pelo estudo integrou investigadores da Universidade Nova de Lisboa e responsáveis da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro Regional de Saúde Pública de Lisboa e Vale do Tejo.
O trabalho foi apresentado no âmbito do ciclo de conferências "Ambiente e Saúde" que está a ser promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e que decorre até Junho.

