Espécies piscícolas originárias do Guadiana - algumas em risco de extinção, nomeadamente o saramugo, ou que não são detectadas há dezenas de anos, como o esturjão - vão ser expostas e estudadas num pólo a criar em Mértola.
O projecto do Pólo Ictiológico (dedicado ao estudo dos peixes) do Guadiana é promovido pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e tem como parceiros o Município de Mértola e a empresa gestora do Alqueva (EDIA).
O presidente da Câmara de Mértola, Jorge Rosa, informou que a candidatura do projecto ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) já foi aprovada pelo INAlentejo.
O investimento global na infra-estrutura ronda os “400 mil euros”, dos quais “75 por cento” são assegurados por fundos comunitários, com a restante verba necessária a ser repartida “entre os três parceiros do projecto”, acrescentou o autarca.
O município vai ainda disponibilizar um terreno na vila, “num local sobranceiro ao Guadiana”, para a construção deste equipamento que, realçou Jorge Rosa, “já fazia falta em Mértola”. “Demonstrámos logo interesse em ser parceiros nesta infra-estrutura porque o Guadiana está localizado mesmo junto da vila e não tínhamos nada para mostrar aos visitantes sobre esta nossa ligação histórica ao rio”, argumentou.
O Guadiana “sempre teve uma importância muito grande” para Mértola, tanto “pela sua riqueza piscícola e de biodiversidade”, como “enquanto canal de deslocação de pessoas e bens ao longo de vários séculos”, função que foi perdendo, mas que “se está a tentar reavivar”.
As obras do projecto, segundo Jorge Rosa, devem avançar “ainda no final deste primeiro semestre do ano”, prevendo-se que estejam concluídas “entre Agosto e Setembro do próximo ano”.
O autarca explicou que o edifício a construir, numa área de 300 metros quadrados, comporta três tipos de valências complementares. “Queremos mostrar, a todos os interessados, as espécies piscícolas autóctones e originárias do Guadiana”, referiu, acrescentando que outro dos objectivos é permitir “uma série de pesquisas científicas acerca da vivência e dos habitats destas mesmas espécies”. “Desta forma, poderemos, por exemplo, prevenir eventuais doenças ou surtos que afectem as populações destes peixes”, sublinhou.
A terceira componente, disse, é a “criação de espécies em cativeiro”, para que “os exemplares possam depois ser devolvidos ao rio”, numa tentativa de o “repovoar com peixes em risco de extinção, como o pequeno saramugo, ou outras espécies que há largas dezenas de anos ninguém avista no Guadiana, de que é exemplo o esturjão”.
“E, como Mértola é dos principais destinos turísticos da região, queremos que estas valências sejam todas visitáveis para que o pólo atraia turistas”, disse o autarca.


