Arguidos dizem que o bastonário da Ordem dos Advogados nunca se constituiu arguido noutros processos

Polícias acusados de espancar Leonor Cipriano vão processar Marinho e Pinto

03.05.2009 - 23:00 Por José Bento Amaro

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Paulo Cristóvão, que actualmente dirige uma empresa de consultadoria, disse ao PÚBLICO que abandonou a PJ “por não aguentar a vergonha de ter sido colocado numa linha de reconhecimento” Paulo Cristóvão, que actualmente dirige uma empresa de consultadoria, disse ao PÚBLICO que abandonou a PJ “por não aguentar a vergonha de ter sido colocado numa linha de reconhecimento” (Hélder Olino (arquivo))
O antigo inspector da Polícia Judiciária (PJ), Paulo Pereira Cristóvão, pretende accionar judicialmente o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho e Pinto.

Entende que o advogado agiu com interesse próprio no julgamento em que, juntamente com quatro outros polícias, está a responder por eventuais agressões a Leonor Cipriano, a mãe da menina que terá sido assassinada no Algarve em Setembro de 2004. Marinho e Pinto foi também o jornalista que denunciou, no semanário Expresso, os eventuais espancamentos que Leonor, entretanto já condenada pelo homicídio, terá sofrido durante um interrogatório policial.

“Não me esqueço do papel deste senhor [Marinho e Pinto] em todo o processo. Foi ele quem, em 2005, mostrou no Expresso as fotos [de Leonor Cipriano com marcas de violência no rosto e costas] que estavam em segredo de justiça. Se eram segredo, não percebo porque é que até agora ainda não foi convocado para dizer como as obteve”, adiantou Paulo Cristóvão. O bastonário, refira-se, constituiu a OA como assistente quando do início do julgamento, no qual se sentam no banco dos réus quatro polícias da Direcção Central de Combate ao Banditismo da PJ e o ex-inspector do Departamento de Portimão, Gonçalo Amaral. “Marinho e Pinto é um hipócrita, pois constituiu a Ordem como assistente neste processo e noutros bem mais mediáticos, como por exemplo o Freeport, nada tem feito”, acrescentou o ex-inspector.

Na semana passada, na audiência em que foram proferidas as alegações finais, o representante da OA, Rodrigo Santiago, terá apelidado de “criminosos” e “cobardes” os polícias envolvidos. “Vai, naturalmente, ter de responder por isso”, acrescentou Paulo Cristóvão lembrando ainda que “foi esta a primeira vez, em 13 audiências, que vi Rodrigo Santiago acordado durante todo o tempo”.

Paulo Cristóvão, que actualmente dirige uma empresa de consultadoria, disse ao PÚBLICO que abandonou a PJ “por não aguentar a vergonha de ter sido colocado numa linha de reconhecimento” (pretendia-se que Leonor Cipriano o viesse a apontar como um dos seus agressores, o que nunca veio a acontecer). “Acabei por ser apoiado por todos os meus colegas, mas nunca tive um apoio institucional. A vergonha e a humilhação ajudaram-me a tomar a decisão de abandonar a PJ”, disse.

O antigo polícia está convicto que será absolvido das acusações (de ter criado condições para que terceiros, desconhecidos, tivessem torturado a mãe de Joana), tal como os restantes quatro arguidos. “Nunca fui apontado nem reconhecido em qualquer das acusações, assim como os meus antigos colegas, portanto não encontro qualquer motivo para duvidar da absolvição”, afirma Paulo Cristóvão que, no entanto, está igualmente convicto que Leonor Cipriano terá, durante o tempo em que decorreram as investigações, sido agredida.

“Nas primeiras duas semanas em que esteve na cadeia de Odemira, Leonor Cipriano esteve junta com outras reclusas e algumas delas sovaram-na em diversas ocasiões. Só mais tarde, quando foi isolada e a directora da prisão [Ana Calado] a começou a visitar na sua cela, é que começou a dizer que ainda haveria de receber uma grande indemnização da PJ”, conta o antigo polícia.

“A directora da cadeia é das pessoas, dentro deste processo, que mais responsabilidades tem. Sem ter qualquer legitimidade, fechava-se na cela com Leonor, supostamente para que esta lhe dissesse onde estava o cadáver de Joana. Não tinha qualquer direito de agir como agiu, pois estava a comprometer o trabalho dos inspectores”, disse.

Paulo Cristóvão lembra ainda que as lesões de Leonor, conforme foi dito no Tribunal de Faro por um médico legista, ocorreram em três datas diferentes. “As mais antigas terão cerca de 20 dias, enquanto as mais recentes terão sido sofridas dez e 12 dias antes. Não deixa, portanto, de ser curioso que nos acusem [inspectores da PJ], pois só chegámos às investigações dois dias antes de a senhora ter caído pelo poço das escadas [do edifício da PJ, durante um intervalo de um interrogatório]”.

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Pois...

Para alguns, espancar uma pessoa é uma coisa absolutamente banal, desde que seja aos outros e feito ...

Felicidade

04.05.2009 19:43

X

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