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Mais de 20 pessoas morrem por dia

Plano de Prevenção do Álcool aguarda aprovação desde o Verão

11.11.2005 - 11:39 Por Alexandra Campos, PÚBLICO

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O plano português está em lista de espera O plano português está em lista de espera (Nélson Garrido/PÚBLICO)
O Programa Nacional de Prevenção dos Problemas Ligados ao Álcool aguarda aprovação no gabinete do ministro da Saúde desde o Verão. Considerado um dos programas prioritários do Plano Nacional da Saúde, este documento vai reforçar o Plano de Acção contra o Alcoolismo aprovado em 2000, adiantou ao PÚBLICO Maria João Heitor, responsável pela divisão de saúde mental da Direcção-Geral da Saúde.

Agrupando uma série de medidas de resposta a este problema, o Plano de Acção contra o Álcool (ou Plano Alcoológico Nacional) já recomendava há cinco anos a criação de um programa de prevenção, reconhecendo a gravidade do consumo excessivo de bebidas alcoólicas em Portugal.

Ontem, durante o Encontro Internacional de Alcoologia, em Matosinhos, o director do Centro Regional de Alcoologia do Norte (CRAN), Rui Moreira, levantou a questão, lamentando que o alcoolismo continue a não estar "na agenda política" e que ainda não tenha saído do papel o trabalho teórico já realizado - para além do plano alcoológico, a rede de referenciação entre as unidades de saúde.

E isto acontece, frisou, apesar de o alcoolismo em Portugal se assumir "com a magnitude de um grave problema de saúde pública". Para dar conta da dimensão do problema, Rui Moreira adiantou alguns dados: estima-se que, em média, mais de 20 pessoas morram por dia em Portugal por problemas ligados ao álcool (a mortalidade chega a ser superior a "oito mil portugueses" por ano); e isto porque, entre outras coisas, o álcool é responsável por 60 por cento dos homicídios, 40 por cento dos suicídios, 22 por cento dos acidentes de viação mortais e cinco por cento das ofensas corporais registadas.

Trabalho pioneiro em Espanha

Perante este panorama, Portugal dispõe apenas de três centros regionais de alcoologia "sem meios humanos, técnicos e financeiros, com a dimensão de um pequeno centro de saúde ou de um CAT [centro de atendimento de toxicodependentes]", disse. "Tem havido convergência teórica na delineação de políticas", mas "o álcool não está na agenda política e é provável que não venha a estar nos próximos anos", acentuou, considerando que "não se vêem acções concertadas para minimizar o problema".

O combate valerá a pena, a crer nas estimativas avançadas pelo especialista: por cada litro de álcool a menos por ano será possível reduzir em 10 por cento os homicídios, em nove por cento as cirroses e em quatro por cento os acidentes de viação.

Em representação do ministro Correia de Campos, do director-geral da Saúde, do presidente da Administração Regional da Saúde (ARS/Norte) e de Maria João Heitor, José Fernandes, assessor para a saúde mental da ARS/Norte, acabaria por responder às críticas e às queixas do especialista, adiantando apenas que o programa de prevenção se encontra "em instância superior para aprovação" e deverá ser anunciado em breve. Contactado pelo PÚBLICO, o gabinete do ministro da Saúde remeteu para hoje informações sobre esta matéria.

O encontro de alcoologia ficou ontem marcado ainda pela apresentação de um trabalho pioneiro que está a ser feito na Catalunha e implica o seguimento, ao longo de 20 anos, de 850 alcoólicos sujeitos a tratamento de desintoxicação. Antoni Gual, director da Unidade de Alcoologia do Hospital Clínico de Barcelona, diz que este estudo prova que os tratamentos são eficazes e que o padrão de abstinência (cerca de 40 por cento do total) se mantém estável ao longo dos anos. O reverso da medalha é que mais de 15 por cento dos doentes morreu uma década após o tratamento (uma taxa de mortalidade três vezes superior à média).

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