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Quatro buscas a residências e a uma empresa

PJ investiga alegadas intrusões na rede informática do Governo e dos ministérios

24.10.2009 - 14:47 Por Mariana Oliveira

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O inquérito está a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal O inquérito está a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (Paulo Abreu)
A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar as alegadas tentativas de intrusão na rede informática do Governo e de alguns ministérios, depois de uma empresa de desenvolvimento e comercialização de produtos de segurança informática ter divulgado, no início do mês, um relatório sobre a "infiltração grave e profunda de uma rede de espionagem digital em organismos do Estado português".

Ontem, a directoria de Lisboa da PJ comunicou que na passada quinta-feira efectuou quatro buscas simultâneas a residências e a uma empresa, a Trusted Technologies, com sede em Lisboa.

Todas as buscas estão relacionadas com os dois sócios da empresa constituída em Fevereiro deste ano, Bruno Vieira e Luís Rodrigues, que foram interrogados pela PJ e constituídos arguidos. "No decurso da operação foram aprendidos dispositivos electrónicos, dados informáticos esoftware de cifra e encriptação, bem como outros elementos probatórios que foram preservados e serão sujeitos a posterior análise", lê-se no comunicado da instituição.

A polícia diz que o objectivo da investigação é identificar e recolher elementos "da eventual prática organizada de crimes informáticos de natureza transnacional, designadamente acesso ilegítimo, acesso indevido e dano informático". O inquérito está a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e os mandados de busca tiveram a assinatura do juiz de instrução Carlos Alexandre, responsável por alguns dos casos mais mediáticos da Justiça, como o Freeport.

No relatório, os dois sócios e co-autores do documento afirmam que informação sensível do Estado foi roubada por uma rede informática sediada na China, conhecida como GhostNet. Os autores dizem ter entrado nos servidores dessa rede e encontrado, entre outros dados, informação capaz de facultar o acesso a bases de dados do Ministério da Justiça, ficheiros sobre o sistema que gere as eleições em Portugal, documentos da PJ e e-mails de magistrados. A empresa diz ter uma cópia de toda esta informação, que chegou a mostrar a alguns jornalistas.

Uma das dúvidas da secção de cri-me informático da PJ, que está a investigar o caso, está relacionada com a forma como os dois informáticos (que não possuem habilitações académicas) conseguiram obter os documentos, muitos dos quais confidenciais. É que a versão que os au-tores relatam do relatório - a de que se infiltraram nos servidores da GhostNet e retiraram de lá os documentos - não convence os polícias, sendo igualmente considerada pouco credível por vários especialistas ouvidos pelo PÚBLICO. Uma das in-congruências para que apontam é a data em que Bruno Vieira e Luís Rodrigues dizem ter conseguido infiltrar-se na rede, em Setembro, mais de seis meses depois de a GhostNet ter sofrido um violento ataque por parte de várias instituições e universidades que tentaram desmantelar a sua actividade. Vigiados 103 países

Na sequência desta operação foi divulgado, em Março, um relatório de investigadores do Centro Munk de Estudos Internacionais da Universidade de Toronto, que precisa que, entre Junho de 2008 e Março deste ano, a GhostNet conseguiu infiltrar-se em 1295 computadores de ministérios, embaixadas e outras organizações de 103 países, incluindo Portugal. De acordo com o documento, o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (Ceger), tutelado pela Presidência do Conselho de Ministros, e as embaixadas de Portugal na Alemanha e Finlândia estiveram sob a vigilância desta rede, desconhecendo-se a que tipo de informação sensível pode ter acedido.

O Ceger escusou-se na altura a comentar o assunto, limitando-se apenas a dizer que o documento estava a ser analisado. O secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros (PCM), Jorge Lacão, garantiu então que nunca foi detectada qualquer intrusão no sistema. Ontem, o PÚBLICO tentou junto do Ceger e da PCM, sem sucesso, saber se foi feito algum reforço à segurança das redes desde então.

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"Genial", oh Algarvia...

Parece que discrição não foi nem é a palavra de ordem nisto... e de *ambos* os lados! Alguém ...

jordi

24.10.2009 23:37

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