Começa hoje o período de greve sectorial da Polícia Judiciária (PJ), concluída que foi uma paralisação de 15 dias de recusa ao trabalho extraordinário. Este novo protesto, em que cada departamento vai parar totalmente durante um dia inteiro por mês, vai durar até final de Abril.
O primeiro departamento a encerrar as portas durante 24 horas, em forma de protesto pelo facto de o Ministério da Justiça ter alterado as regras de acesso ao serviços sociais e os pressupostos da reforma e aposentação, é a Direcção Central de Investigação aos Crimes Económico-Financeiros, em Lisboa.
O sector da criminalidade económica é, de resto, um dos mais sensíveis em termos de investigações policiais e um dos que, em toda a estrutura da PJ, maior volume de processos e inquéritos movimentam.
Amanhã a paralisação vai abranger a Directoria do Porto e a extensão de Vila Real, prevendo-se que os funcionários de investigação criminal venham a concentrar-se, em frente ao edifício da directoria, durante o período da manhã, acentuando assim uma forma de protesto que, segundo os dirigentes da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC), teve nas duas últimas semanas um nível de adesão, relativamente à recusa ao trabalho extraordinário, na ordem dos 90 por cento.
"Não sendo possível quantificar quantos serviços ficaram por fazer, a verdade é que, em todos os sectores e em todo o país, durante o período de recusa às horas extra, deixaram de se fazer ou foram adiadas centenas de diligências", disse ao PÚBLICO o secretário-geral da ASFIC, Carlos Garcia.
O mapa da greve ontem divulgado pela ASFIC prevê que em Fevereiro haja 11 dias de paralisação. No mês seguinte os diversos departamentos irão parar alternadamente durante 15 dias (os crimes financeiros paralisam novamente a 1, enquanto a Direcção Central de Investigação ao Tráfico de Estupefacientes pára no dia 15 - tal como acontece este mês - e a Directoria de Lisboa a 21).
Durante o período da greve, segundo a ASFIC, apenas serão assegurados os serviços mínimos através do serviço de piquete, conforme ficou estabelecido durante uma reunião dos sindicalistas com a direcção da PJ e o Ministério da Justiça.


