Pinto Monteiro diz que nem todos os alvos de busca são necessariamente arguidos

28.10.2009 - 19:15 Por Lusa
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, disse que hoje que a operação ‘Face Oculta’ decorre de um processo “complexo” relacionado com corrupção, em investigação “há bastante tempo” e que envolve “variadíssimas” empresas de todo o país.
Pinto Monteiro foi evasivo nas respostas a questões que os jornalistas lhe formularam hoje no Porto sobre a matéria, alegando que o próprio procurador-geral não pode violar o segredo de justiça.
Ainda assim, disse que se trata de “diligências e buscas necessárias para um processo que está a ser investigado há já bastante tempo pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária (PJ)”.
“Há um processo cuja base é a suspeita de corrupção e esse processo abrange variadíssimas empresas e sociedades. Estão a ser feitas investigações ao nível de todo o país, mas como maior incidência em Aveiro”, acrescentou.
Questionado pelos jornalistas à entrada para uma cerimónia de apresentação de um estudo sobre violência doméstica, o procurador-geral ressalvou que o facto de muitas empresas terem sido alvo de diligências ou buscas “não significa que sejam necessariamente arguidas”.
“Muitas vezes, podem fazer-se buscas para obter elementos e podem as sociedades aonde se fazem a busca nada terem a ver com o processo em si” advertiu.
A PJ está a realizar hoje buscas em vários pontos do país, numa operação de “grande envergadura” relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial sedeado em Aveiro, disse fonte policial à Lusa.
A edição online do "Correio da Manhã" noticiou, também hoje, que a PJ estava a realizar buscas nas empresas Rede Ferroviária Nacional (REFER), Rede Eléctrica Nacional (REN) e outras detidas directa ou indirectamente pelo Estado, entre elas a Galp, o BCP e a EDP, no âmbito de uma investigação relacionada com crimes económicos.
A Galp e a EDP confirmaram na tarde de hoje a existência de recolha de informação por parte da Polícia Judiciária. No caso da Galp, a diligência incidiu sobre “um funcionário” da refinaria de Sines, enquanto que, no caso da EDP, “foi apenas pedido informação sobre um processo”, disseram as fontes oficiais destas duas empresas.

