Pinto da Costa: "Tanta invenção será compreendida quando se souber com quem Carolina se reuniu antes do livro"

18.06.2007 - 00:30 Por Bruno Prata
Pinto da Costa jura que nunca comprou ou mandou comprar um árbitro para beneficiar o FC Porto. Numa entrevista sem restrições às perguntas e em que o processo Apito Dourado foi o tema principal, o presidente do FC Porto passou em revista a época desportiva, o trabalho de Jesualdo Ferreira, as aquisições e as vendas de jogadores e o novo cargo que vai ser desempenhado por Vítor Baía.
PÚBLICO: Como reagiu ao despacho de acusação do Ministério Público dos crimes de corrupção desportiva activa, no âmbito do processo que envolve o FC Porto-Estrela da Amadora de 2004?
Pinto da Costa: Confesso que não perdi muito tempo a analisá-lo, atendendo a que já tinha sido anteriormente arquivado por não haver indícios.
P: Alguma vez comprou ou mandou comprar um árbitro para beneficiar o FC Porto?
PC: Não. Isso não tem qualquer tipo de cabimento e só lhe respondo porque não faço reservas às perguntas.
P: Declarações de Carolina Salgado terão servido para descodificar o nexo de causalidade em que Jacinto Paixão pedia ao empresário António Araújo que lhe arranjasse, por exemplo, “fruta” e as prostitutas que se diz terem sido um serviço oferecido pelo FC Porto à equipa de arbitragem...
PC: Fruta? Fruta como eu todos os dias ao pequeno-almoço, que faz muito bem à saúde.
P: Refiro-me à conversa telefónica gravada entre si e António Araújo...
PC: O FC Porto e António Araújo, este como representante do Corinthians Alagoano, mantinham entre si uma conta corrente relativa à transferência de jogadores e quando [ele] me falou em fruta pensei que se referia a uma verba que vinha reclamando de uma dívida do FC Porto, tendo-lhe por isso dito que tinha sido já enviada, como de facto fôra.
P: Mas Carolina Salgado refere, até no livro Eu Carolina, a existência de ofertas a árbitros...
PC: Como é sabido, as minhas preferências literárias vão mais para o poeta José Régio. Não aprecio literatura de cordel.
P: Mesmo conhece de certeza o seu teor...
PC: Quanto a isso, quero endereçar os meus parabéns ao senhor procurador e à senhora juíza, musas inspiradoras de tal obra, uma vez que foram eles que criaram o guião. Conheço o suficiente para compreender que tanta invenção e falsidade só serão compreendidas quando todos souberem (o que eu já sei) com quem a Carolina Salgado se reuniu antes do livro, depois de ele ser escrito, quem cortou coisas, quem acrescentou outras, quem a apresentou à D. Quixote, etc., etc. Para se compreender o objectivo desse livro, será suficiente ler, como eu li, há dias num diário, que a escritora Fernanda Freitas está arrependida (e vou citar) por “ter pactuado alegadamente por desconhecimento de causa com falsidades e invenções no texto que escreveu”.
P: O que pretende dizer com isso?
PC: Diria que a autora do livro poderia ser processada por plágio, já que, ao que me contam, transcreve o interrogatório judicial de que fui alvo.
P: Mas a verdade é que o FC Porto foi acusado de oferecer prostitutas aos árbitros...
PC: Quanto a essas aleivosias, já prestei os esclarecimentos em sede de inquérito, que, pelos vistos, foram suficientes, porque o processo foi arquivado. Aliás, como é bom de ver pela última época em que fomos prejudicados por este ambiente de suspeição, o FC Porto continua a ganhar e venceu o campeonato. Não esqueçamos que, em caso de dúvida, os árbitros, neste clima de suspeição, decidiam sempre contra o FC Porto.
P: O FC Porto jogou com o Estrela da Amadora a 24 de Janeiro de 2004, numa altura em que tinha uma equipa fortíssima...
PC: É verdade. O FC Porto ia em primeiro lugar, com 48 pontos e cinco de avanço sobre o segundo classificado. É também verdade que o Estrela ia em último lugar, com 11 pontos, aliás lugar no qual terminou o campeonato e destacado. A mesma equipa e a mesma estrutura que ganharam as mais prestigiadas taças europeias não seriam capazes de ganhar ao Estrela em casa? Não me lembro de ninguém, na altura, se ter lembrado de falar em favores de árbitros europeus. Curiosamente, nem é referente ao FC Porto que mais do que um árbitro internacional disseram, e está escrito, que receberam favores de um clube português em jogos europeus.

