O procurador-geral da República considera "essencial" o uso de técnicas especiais de investigação no combate à corrupção, tais como as escutas telefónicas.
Fernando Pinto Monteiro falava em Pequim, durante o encontro de um órgão mundial anti-corrupção que hoje elegeu o procurador-geral chinês como seu presidente.
O procurador-geral português considerou que o recurso às técnicas especiais de investigação, como as escutas telefónicas, é "essencial, no âmbito do combate à corrupção, de modo a conferir acrescida eficácia à investigação de factos que, pela sua natureza, são geralmente de difícil detecção e comprovação".
Na sua comunicação perante a Associação Internacional das Autoridades Anti-Corrupção (IAACA, na sigla em inglês), enumerou técnicas de investigação especial como a vigilância electrónica, incluindo as escutas telefónicas, acções encobertas por agentes de investigação criminal e a possibilidade da quebra de sigilo por parte de entidades financeiras, advogados ou médicos.
O encontro inaugural da IAACA, que teve início em Pequim no passado domingo e que termina na quinta-feira, serviu também para eleger Jia Chunwang, o procurador-geral chinês, como o primeiro presidente do órgão, criado para auxiliar a aplicação da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, que entrou em vigor em Dezembro de 2005.
"Apesar de ainda não ter procedido à ratificação formal da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção", afirmou Pinto Monteiro, "Portugal dispõe já de vários mecanismos legais susceptíveis de enquadrar o recurso a estas técnicas de investigação para efeitos de crime de corrupção".
Pinto Monteiro, que preferiu não fazer declarações à imprensa, foi um dos mil delegados de 137 países e 12 organizações internacionais que participam na reunião de Pequim, que tem como objectivo intensificar a cooperação internacional na luta contra a corrupção.
Durante o encontro os delegados aprovaram também os estatutos da IAACA e uma estratégia de desenvolvimento futuro para a organização.
O Presidente chinês, Hu Jintao, inaugurou o encontro no domingo, tendo destacado a luta anti-corrupção entre os funcionários públicos do Estado chinês, que tem vindo a pôr em causa a legitimidade do Governo de partido único do Partido Comunista Chinês.
Durante o encontro, o vice-procurador-geral chinês anunciou que os tribunais chineses sentenciaram e puniram 17.505 responsáveis públicos por crimes de corrupção nos primeiros oito meses de 2006.
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.


