A embarcação de pesca portuguesa "Santa Mafalda" foi apresada no domingo, e não ontem, por alegadamente ter pescado, em Maio de 2003, em águas canadianas, esclarece a Associação dos Armadores de Pescas Industriais (Adapi).
O presidente da Adapi, Pedro França, disse que a embarcação - que levava 35 tripulantes a bordo - foi apresada no domingo. O seu capitão, José Taveira da Mota, foi algemado, após uma operação "aparatosa" com a entrada de seis militares no barco, que foi seguido até ao porto de St. John's, na Terra Nova, por duas outras embarcações e acompanhado por um avião.
Pedro França explica que a embarcação portuguesa tinha saído no domingo de uma ilha francesa, onde se deslocara para uma reparação, quando foi detida pelas autoridades canadianas. O barco navegava fora das 200 milhas canadianas, numa zona controlada pela Organização do Atlântico Noroeste, sublinha o mesmo responsável.
O presidente da Adapi explica ainda que depois de alegadamente o "Santa Mafalda" ter entrado nas águas canadianas, em Maio de 2003, já foi por diversas vezes fiscalizado pelas autoridades canadianas, sem que lhe tivesse sido comunicada qualquer acusação.
De acordo com a mesma fonte, o armador do barco pagou dez mil dólares para libertar o capitão, desconhecendo ainda o valor que as autoridades pedem para libertar a embarcação.
Para o presidente da Adapi, o comportamento das autoridades canadianas mostra uma "prepotência" à qual o Governo português terá de responder. Para tal já foi pedida uma audiência ao secretário de Estado das Pescas.
O Governo do Canadá salienta em comunicado que o pesqueiro "Santa Mafalda" foi arrestado em águas territoriais canadianas a Sul da Terra Nova e do Labrador. O comunicado sustenta ainda que desde o incidente de Maio do ano passado, o "Santa Mafalda" não tinha voltado a entrar em águas canadianas até domingo à tarde, dia em que foi apresado.
"Qualquer violação da zona exclusiva canadiana de pescas é um crime ao abrigo da Lei da Protecção da Pesca Costeira", sublinha o documento.
O director-geral das Pescas, Eurico Monteiro, não comenta a acusação, mas estranha que as autoridades canadianas nada tenham dito sobre o caso se as queixas já se arrastam há meses. Em declarações à rádio TSF, o responsável queixou-se de que o Canadá nada tenha dito nos contactos bilaterais, o que lhe causou "alguma estranheza".
Se for condenado em tribunal, o capitão pode ser multado entre 100 e 150 mil dólares canadianos (entre 64 e 96 mil euros).


