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Furacão vai obrigar à suspensão da actividade

Pescadores açorianos receiam prejuízos causados pela passagem do "Gordon"

19.09.2006 - 16:23 Por Lusa

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No porto de pesca, os barcos mais pequenos já estão em terra como medida de precaução No porto de pesca, os barcos mais pequenos já estão em terra como medida de precaução (Estela Silva/Lusa (arquivo))
Os pescadores com barcos no porto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, estão apreensivos com os efeitos da prevista passagem do furacão "Gordon" pelas ilhas e já fazem contas aos prejuízos da paragem forçada.

No porto de pesca de Ponta Delgada, cerca de 30 barcos cabinados estão devidamente amarrados, enquanto que os de boca-aberta (de menor dimensão) já estão em terra, como medida de precaução face aos ventos fortes anunciados.

António Santos, 64 anos, já sabe que a sua embarcação vai ficar em terra nos próximos dias.

"Quarta-feira fico em terra como recomendam as autoridades, mas depois vou ter de me fazer à vida", afirmou o proprietário da embarcação "Abelheira", acrescentando que tem de ganhar dinheiro para pagar os salários aos sete homens que trabalham consigo.

No novo porto de pescas da maior cidade açoriana, António Santos salientou que não consegue quantificar os prejuízos que vai sofrer com esta paragem forçada, mas admitiu que seguramente "serão elevados", alegando que "só há dinheiro se houver peixe para vender em lota".

"Vou amarrar bem os barco com cordas, como faço normalmente, com bom ou mau tempo", salientou o pescador, que confessou que hoje à noite não vai dormir descansado.

Além do "Abelheira", também o "Mar da Prata" vai ficar em terra. Edmundo Sugestão, que trabalha na embarcação, disse que o dono do barco decidiu dormir a bordo para mais rapidamente acudir a qualquer situação.

No entanto, este pescador de 60 anos confessa não estar muito preocupado com os efeitos do furacão "Gordon", que deverão começar a fazer sentir-se ao final do dia nas ilhas das Flores e do Corvo.

Edmundo Sugestão, que começou a pescar aos nove anos de idade, disse que, por precaução, o "Mar de Prata", com 13 metros de comprimento, só volta à faina na sexta- feira.

"Já estamos em terra há cinco dias", disse o pescador, sublinhando que isso significa não receber dinheiro, pois "o pescador só recebe quando vai para o mar pescar".

De acordo com o Instituto de Meteorologia, a passagem do furacão "Gordon" pelo arquipélago deverá afectar mais as ilhas do grupo central, prevendo-se rajadas máximas de 170 quilómetros por hora e ondulação que poderá atingir os 12 metros.

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