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Gastam-se fortunas para capturar peixes

Pesca: vício para um milhão de portugueses

15.02.2009 - 07:00 Por José Bento Amaro

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A pesca desportiva é uma espécie de vírus que ataca um em cada dez portugueses A pesca desportiva é uma espécie de vírus que ataca um em cada dez portugueses (Nuno Ferreira Santos)
Um em cada dez portugueses tem o vício da pesca. São um milhão os que, todos os anos, compram a respectiva licença para, no mar ou em água doce, faça sol ou caia chuva, darem satisfação a uma actividade que movimenta milhões de euros. O negócio, apesar da crise, floresce, ao ponto de existirem mais de 300 estabelecimentos especializados na venda de material. Há imprensa especializada e até se viaja para outros continentes na esperança de sentir a cana vergar com o peso recorde de um peixe.

Há dois anos o Estado determinou o pagamento de uma licença para quem quisesse pescar no mar, fosse a partir da praia ou empunhando uma cana dentro de um barco. Se o objectivo era obter receitas, então a medida foi um êxito: todos os anos há 700 mil portugueses que se dirigem à caixa multibanco mais próxima e, a troco de um montante (12 a 60 euros) que varia consoante o tipo de pesca e a sua periocidade, sacam o papel que os habilita a exercer a actividade. Os outros 300 mil que têm o vício, esses compram nos serviços do Ministério da Agricultura e Pescas, nas câmaras municipais ou nas juntas de freguesia, as licenças que podem ser nacionais (todo o país), regionais (para Sul ou para Norte do Tejo) ou concelhias (permitem a actividade no concelho escolhido, mas também em todos os outros que com esse façam fronteira).

Tratou-se, de resto, de impor para o mar as regras que vigoram há dezenas de anos na água doce. À semelhança do que se passa nos rios e barragens, também no mar se estabeleceram tamanhos a partir dos quais se permite capturar cada espécie. Só o defeso (em vigor de 15 de Março a 31 de Maio para a água doce) separa agora os dois tipos de pesca.

Não se pense, no entanto, que o material utilizado no mar é adequado para os rios e vice-versa. De facto, as maiores semelhanças entre os dois tipos de equipamento cingem-se apenas a alguns preços, porque a especificidade das linhas, a capacidade dos carretos, os tamanhos dos anzóis e bóias, as dosagens do chumbo e a configuração das canas, para já não falar nas técnicas utilizadas, são tão diferentes como diferente é um achigã de um espadarte.

Para quem possa pensar que um milhão de portugueses encartados é um número exagerado, adianta-se aqui que em Inglaterra a pesca de água doce tem mais de cinco milhões de licenças vendidas anualmente e que até existem canais de televisão cujas transmissões são apenas relativas à pesca e ao que lhe está associado: turismo, indústria, postos de trabalho.

Do surf casting ao big game

Os 700 mil que pescam no mar fazem-no de todos os modos e feitios, seja nos areais, nas rochas ou nos barcos, seja munidos de equipamento básico cujo somatório não ultrapassa os 200 euros, ou quais magnatas do anzol, a bordo de embarcações topo de gama, com canas especiais e carretos eléctricos.

O pescador que o comum dos leitores está habituado a ver é aquele que, de pé ou sentado, num areal, passa horas a olhar para a ponteira do canelão de vários metros. Este é praticante de surf casting, o modo de pesca mais cómodo e que consiste no lançamento das chumbadas a partir da praia. A força braçal repercute-se, normalmente, na captura de douradas. Uma cana custa entre 20 a 600 euros e um carreto pode ir dos 25 aos 600.

Quem pesca à bóia tem canas que oscilam entre os dez e os 250 euros e carretos que oscilam entre os 17 e os 400. Este tipo de pesca está em vias de perder o título de “mais trabalhosa”, uma vez que irá ser proibida a engodagem (normalmente utilizam-se vários quilos de sardinha moída).

Se a dourada de mar é um prémio para qualquer pescador, a captura do robalo é uma modalidade cada vez com mais adeptos. O spinning é praticado com uma amostra (uma medalha reluzente ou um peixe de imitação cravejados de anzóis). As canas, até três metros de comprimento, custam entre 50 e 350 euros, sensivelmente o mesmo preço para os carretos. Existe ainda uma técnica denominada buldo ou curricar. Aqui também se utiliza uma amostra, que se lança e recolhe de imediato, esperando que o robalo a abocanhe. As canas mais caras, apesar de poderem ser um pouco maiores ficam, no entanto, por metade do preço das do spinning. São utilizadas bóias de água.

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Comentário + votado

Sr. José Bento Amaro, ... as suas fontes,

... devem estar muito erradas ou então, não soube transcrever o que leu, e sabe-se ...

Miguel Costa

12.11.2009 21:08

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