Pesca ilegal: Greenpeace “acorrenta” quatro navios portugueses no porto de Aveiro 
28.10.2008 - 14:58 Por Helena Geraldes
A organização ecologista internacional Greenpeace colocou hoje correntes nas hélices de quatro navios de pesca portugueses, no porto de Aveiro, para denunciar a pesca ilegal praticada por aquelas embarcações. As chaves dos cadeados serão entregues às autoridades marítimas, junto com o pedido para que estes “navios piratas” sejam imediatamente banidos dos mares.
A actividade da Greenpeace Internacional, com o apoio da Greenpeace Portugal, está ainda em curso no porto de Aveiro e conta com a participação de 15 activistas, entre eles dois mergulhadores que colocaram as correntes nas hélices dos quatro navios.
Os navios “Red”, “Caribe”, “Brites” e “Aveirense” são propriedade do Grupo Silva Vieira e, segundo a Greenpeace, “todos têm cadastro de envolvimento em pesca ilegal”. Estas embarcações pescam sem bandeira, ultrapassaram a quota legal de pesca, usam métodos ilegais e múltiplas identidades, denuncia a organização.
A Greenpeace salienta que o navio "Red" - anteriormente conhecido por "Joana", "Kabou" ou "Lotus" - consta da lista negra oficial da Comissão de Pescas do Atlântico Nordeste (NEAFC), da qual o Governo português é membro contratante.
Segundo Beatriz Carvalho, porta-voz da Greenpeace Portugal, o "Red" está incluído na lista negra oficial da União Europeia. "Estes navios pirata não deveriam estar a receber serviços dos portos porque estão a violar as regras internacionais", disse ao PÚBLICO.
"Pedimos ao Governo português para assumir os seus compromissos e banir de vez estes navios, numa altura em que os oceanos estão em crise", acrescentou Beatriz Carvalho, no porto de Aveiro.
Recentemente, a organização lançou uma Lista Negra internacional de pesca ilegal, não registada e sem regulamentação. Esta base de dados reúne os navios envolvidos naquilo que chama “pesca pirata” e as empresas suas proprietárias. Os quatro navios portugueses fazem parte desta lista.
“É revoltante que navios piratas ainda recebam serviços em portos europeus e continuem a pescar ilegalmente, não obstante a legislação vigente”, afirmou Farah Obaidullah, da campanha de Oceanos da Greenpeace Internacional. “O facto de um navio que consta na lista negra da UE ter recebido permissão para aportar e receber serviços no porto de Aveiro, demonstra a falta de vontade política por parte das autoridades portuguesas para combater a pesca pirata”.

