Perus de quinta infectada com gripe das aves já começaram a ser abatidos

04.02.2007 - 12:36 Por Lusa
O abate de 159 mil perus numa criação do Leste de Inglaterra, onde ontem foi confirmada a presença a estipre H5N1 do vírus da gripe das aves, já começou e deverá demorar dois dias, anunciou o Ministério do Ambiente britânico. Fontes sindicais adiantam que há cerca de mil portugueses a trabalhar na exploração atingida.
"O abate deverá demorar cerca de dois dias", anunciou o porta-voz à agência France-Presse (AFP), explicando que as aves serão gaseadas e as suas carcaças transportadas em camiões cobertos para Staffordshire, no centro de Inglaterra, onde serão destruídas.
A criação de Bernard Matthews, dono de um importante grupo agro-alimentar britânico, está situada em Holton, perto de Lowestoft, na região oriental da Inglaterra.
Além de uma zona de protecção restrita de três quilómetros de raio em redor da criação, as autoridades veterinárias estenderam, ontem à noite, a zona de vigilância a um território de cerca de 2000 quilómetros, onde a circulação é reduzida e as aves de capoeira e as selvagens deverão ser isoladas.
Os serviços veterinários britânicos foram alertados quinta-feira à noite, após a morte suspeita de mais de 2600 perus nesta unidade de criação.
Quase mil portugueses trabalham na exploração infectada
O complexo aviário onde foi confirmada a presença do vírus da gripe das aves tem quase mil trabalhadores portugueses, revelou um responsável sindical da região, avança a Lusa.
Adriano Guedes, o responsável sindical que representa os trabalhadores portugueses na região, disse à agência noticiosa que há milhares de portugueses nesta área, mas na exploração em questão o número ultrapassa ligeiramente os 900.
"Ainda estamos a tentar avaliar a situação e a falar com as pessoas todas, mas é evidente que as notícias nos preocupam e vamos fazer tudo para ajudar os trabalhadores a receber boa informação sobre as condições de trabalho e de saúde", disse.
A Lusa falou também com um dos funcionários da fábrica, Joaquim Marques , que se mostrou apreensivo pela falta de informação aos trabalhadores. "A situação só nos foi comunicada na sexta-feira à noite, no final do turno. Contaram-nos mais ou menos o que aconteceu e o que estavam a pensar que ia acontecer. Mas acho que ainda não esperavam que fosse isto", afirmou.
De acordo com este funcionário, há bastante receio entre os trabalhadores. "Há medo claro, sobretudo das pessoas que estão em contacto directo com os animais, mas acho que muitas dessas já tem exames marcados", acrescentou.

