Perto de 500 pessoas desfilaram hoje pelas ruas da Lourinhã em protesto contra o encerramento do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) local e contra "a falta de respostas concretas do Ministério da Saúde" aos utentes daquele município.
A manifestação foi promovida pela associação de freguesias do concelho da Lourinhã e contou com o apoio e presença de vários autarcas.
As freguesias entregaram um documento reivindicativo ao presidente da câmara, no sentido de solicitar a calendarização das contrapartidas que anteriormente tinham sido exigidas pelos autarcas e que constam de um protocolo que irá ser assinado a 18 de Janeiro entre o Ministério da Saúde e a autarquia da Lourinhã.
O documento será posteriormente enviado ao ministro da Saúde, à Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo e à Assembleia da República.
As contrapartidas para compensar a população pela perda do serviço passam pela atribuição de uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica e o reforço das consultas de ambulatório.
Já hoje, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo afirmou não entender os motivos que levaram hoje a população da Lourinhã a manifestar-se contra o encerramento do SAP, quando foram aceites as alternativas exigidas pelos autarcas.
No entanto e, apesar da reivindicação dos autarcas, António Branco recusa-se a avançar com um calendário para a implementação de todas as medidas, considerando o anúncio "extemporâneo". "Não vamos antecipar, antes do dia em que tivermos uma versão do protocolo, o calendário para a execução dos nove pontos aprovados pela Assembleia Municipal", adiantando que todos foram aceites pelo Ministério da Saúde e "não suscitam problemas".
Os autarcas estão a favor do encerramento do SAP, mas só depois de o Ministério da Saúde implementar soluções alternativas que compensem a população.
A falta de ambulâncias, a distância de 20 quilómetros face à urgência do Hospital de Torres Vedras, já de si lotada, e o aumento de população nos meses de Verão neste concelho do litoral são motivos que, para os autarcas, não devem ser esquecidos pelo ministério.
Em Setembro, a Assembleia Municipal aprovou uma proposta de protocolo a assinar com o Ministério da Saúde, em que eram exigidas alternativas, como o reforço das consultas de ambulatório, a atribuição de uma ambulância do Instituto Nacional de emergência Médica e a melhora da rede de cuidados continuados e de apoio domiciliário.
Após o fecho do SAP, a ARS de Lisboa e Vale do Tejo informou este mês a autarquia de que o protocolo irá ser assinado a 18 de Janeiro, depois da aceitação de todas as contrapartidas, mas não avançou com quaisquer outras datas que garantam com o cumprimento das medidas acordadas.
Desde o início deste mês que o SAP da Lourinhã fechou as portas definitivamente, tendo sido substituído por um atendimento complementar às consultas no médico de família (apenas para utentes inscritos na unidade), que está aberto das 16 às 22 horas nos dias úteis e das 14 às 20 aos sábados, domingos e feriados.
Perante o sucedido, a Câmara Municipal reagiu com indignação a este encerramento, que a autarquia vinha a negociar com a tutela.
O Centro de Saúde da Lourinhã tem 26.800 utentes, dos quais 4000 estão sem médico de família.


