Pedro Nunes: “Falta de sensibilidade” da anterior equipa da Saúde levou médicos a abandonar função pública

23.04.2008 - 14:48 Por Lusa
Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos defendeu hoje que a gestão e "a falta de sensibilidade" da anterior equipa do Ministério da Saúde acabou com aspectos que "prendiam os médicos na função pública, mesmo contra os seus interesses económicos".
Segundo o bastonário, que prestou declarações no final da audiência com Cavaco Silva, esses aspectos passavam por questões ligadas às carreiras e pelo debate com os colegas sobre os progressos de conhecimento, enumerou.
Pedro Nunes aproveitou ainda para criticar medidas "desnecessárias, demagogas, que manipulam a opinião pública e que deixam mal a imagem do país" ao nível da Saúde, referindo-se ao caso de algumas autarquias que decidiram custear viagens para tratamentos oftalmológicos em Cuba.
"Trata-se de uma ideia mirabolante porque está em causa apenas uma questão de organização e apoio financeiro", comentou o responsável, rejeitando que a opção dos autarcas de Vila Real de Santo António e de Santarém seja justificada por falta de médicos.
Escusando-se a tecer maiores comentários por estar agendada para breve uma reunião com a ministra da Saúde, Ana Jorge, o responsável lembrou a possibilidade de recurso a mecanismos de solidariedade que possibilitam financiar operações, assim como a rapidez na realização de intervenções em pessoas que estejam cegas devido a cataratas.
A mesma fonte sublinhou ainda que, havendo verbas disponíveis, a melhor opção seria as autarquias contactarem os hospitais locais e proporem determinado valor para custear operações.
"Os valores em causa por cada doente permitia serem operados em Portugal", nomeadamente através de convenções e sem o "incómodo" de deslocações longas, acrescentou.
"Tem que se retirar a demagogia da discussão da área da Saúde e transformá-la num compromisso sério e solidário para que todos os portugueses tenham acesso ao sistema nacional", defendeu.

