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Mário Cordeiro diz que muitas das medidas vão contra as orientações científicas

Pediatra acusa profissionais de ainda aplicarem práticas erradas nos nascimentos

28.05.2008 - 14:53 Por Lusa

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Os bebés nunca devem ser deitados de lado e sempre de barriga para cima, para evitar a morte súbita Os bebés nunca devem ser deitados de lado e sempre de barriga para cima, para evitar a morte súbita (Adriano Miranda (arquivo))
Algumas das práticas que acompanham o nascimento em Portugal, como deitar o recém-nascido de lado, são "erradas" e vão contra as orientações científicas, denunciou hoje o pediatra Mário Cordeiro. O especialista abordará hoje esta questão durante o debate sobre "Nascer em Portugal: sofrimento ou prazer?", que decorre no Centro Cultural de Belém e promete "partir a louça", pois "há verdades que não podem ser escondidas ou escamoteadas", defendeu o especialista. O evento conta com outros profissionais, como um psicólogo, um obstetra e uma doula.

Mário Cordeiro denunciou que "em alguns hospitais e maternidades, existem alguns profissionais que adoptam práticas, algumas das quais totalmente injustificadas do ponto de vista científico". Estas práticas vão mesmo "contra as orientações técnicas da Direcção Geral da Saúde (DGS)". A título de exemplo, Mário Cordeiro afirmou que algumas instituições colocam o recém-nascido deitado de lado, o que é "errado e perigoso", pois só se este estiver deitado de costas é que fica protegido contra a morte súbita. "Não estamos a falar de uma questão de moda, mais sim de uma forma de prevenir a morte súbita", disse.

Mário Cordeiro lembrou que a orientação técnica de deitar o bebé de barriga para cima tem 19 anos. "Se em 19 anos as pessoas não sabem, isso é estranho e deve ser investigado pelos directores de serviço e pela própria DGS, que recomenda que as crianças sejam deitadas de costas", o que "faz toda a diferença". Outra norma que é criticada por este especialista é a proibição que existe em alguns hospitais da presença do pai no nascimento por cesariana com epidural. "A ciência diz, cada vez mais, que o pai deve estar presente, o que é uma necessidade para o bebé e para o pai", disse.

Também as normas sobre a amamentação não são uniformes. "O bebé deve mamar logo que nasça, o que pode acontecer em 80 por cento dos nascimentos que são os que não precisam de uma reanimação", disse, lamentando que tal não aconteça sempre. O pediatra critica, ainda, a falta de esclarecimento das parturientes pelos profissionais, nomeadamente sobre o stress que a descida do leite provoca.

Os "erros" começam, segundo Mário Cordeiro, antes mesmo do nascimento, com algumas grávidas a serem obrigadas a estar deitadas. São erros cuja correcção tem "um custo zero", disse o pediatra, para quem "não são precisos grandes investimentos" para se nascer melhor em Portugal. O médico lamenta que ainda exista a cultura de que é melhor o paciente não protestar, porque isso pode levar a represálias que se traduzem num pior atendimento.

"Um nascimento é um concerto em que as estrelas são a criança e os pais e os técnicos, apesar de fundamentais, devem apenas assegurar que tudo correrá da melhor maneira". Mário Cordeiro conclui que "a gravidez não é uma doença, nem o parto é um tratamento".

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Encontro-me na Suécia desde 5 de Marco para assitir ao nascimento de um neto, acontece que nasceu ...

Maria Cidália F. Ruas dos Santos

28.05.2008 16:09

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