PCP força ida de Correia de Campos ao Parlamento para explicar fecho de urgências

18.01.2008 - 19:10 Por Lusa
O PCP vai usar o direito de agendamento potestativo para forçar o ministro da Saúde, Correia de Campos, a explicar no Parlamento o encerramento de serviços urgências, uma medida que os comunistas dizem estar a provocar "alarme social".
Em declarações à Lusa, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, explicou que "há várias semanas" que os partidos tentam agendar a reunião com Correia de Campos na comissão de saúde "esbarrando com incompreensíveis dificuldades".
"Ora, a situação actual, de alarme social e profunda preocupação popular, bem expressa nas enormes manifestações e protestos um pouco por todo o país, não permite que continue a estar arredada da Assembleia da República a fiscalização desta desastrosa política", declarou.
Em carta dirigida à presidente da comissão de Saúde, a socialista Maria de Belém Roseira, Bernardino Soares solicita "máxima urgência" na audição de Correia de Campos que, por ser potestativa, será obrigatoriamente aprovada.
O PCP sublinha que "continuam a suceder-se episódios, alguns nos últimos dias da maior gravidade, relacionados com a alteração da rede de urgências". "É preciso que se efective a denúncia das consequências das graves decisões do Governo nesta matéria, a tempo de uma correcção de uma política que é feita contra as populações e contra o desenvolvimento do país", considerou.
Esta manhã, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, tinha exigido explicações do ministro na sequência da morte, horas antes, de um bebé de três meses, em resultado de uma paragem cardio-respiratória, à porta do hospital da Anadia.
O responsável pela Administração Regional de Saúde do Centro recusou que haja uma relação entre a morte da criança e o facto de a urgência daquele hospital ter encerrado. A ARSC referiu que o pai da criança solicitou auxílio através do número 112 e que depois a criança foi socorrida pelo INEM.
Já ontem, um outro bebé de meses, natural de Carregal do Sal, morreu a caminho do hospital de Viseu, quando seguia numa ambulância sem assistência médica, acompanhada apenas pela mãe e pelo condutor.

