O PCP acusou hoje o Governo de "correr atrás" da agenda parlamentar ao aprovar hoje a revogação das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias, medida que para o BE visou evitar uma “derrota política” no Parlamento.
“Acho inacreditável e estranho do ponto de vista institucional. A conferência de líderes parlamentares, onde o Governo está representado, agendou um debate sobre essas matérias para daqui a oito dias”, afirmou o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, em declarações à Agência Lusa.
O conselho de ministros aprovou hoje, na generalidade, um decreto que revoga as taxas moderadoras para internamento e cirurgia no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), medida com efeitos a partir de 01 de Janeiro de 2010.
“O Governo decidiu agora pela revogação porque o seu protelamento para a sede do Orçamento do Estado não permitira que houvesse efeitos logo a partir de 01 de Janeiro de 2010”, justificou o ministro da Presidência.
Para Bernardino Soares, que adiantou que irá apresentar sexta-feira um projecto de lei com o objectivo de pôr fim àquelas taxas, “o Governo não tinha necessidade de andar a correr atrás da agenda parlamentar” e devia “respeitar os calendários parlamentares de que tem conhecimento”.
O líder parlamentar do PCP frisou que a ministra da Saúde, Ana Jorge, disse há poucos dias que admitia a revogação das taxas mas em sede do Orçamento do Estado para 2010.
Bernardino Soares defendeu ainda que a iniciativa do Governo não torna invalida a discussão das iniciativas dos partidos no Parlamento.
Para o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, a iniciativa do Governo PS visou “evitar uma derrota política que se previa no Parlamento”.
“O PS e o Governo decidiram antecipar-se para não sofrerem essa derrota no Parlamento. Sendo eles a assumir o erro, a derrota política é mais suave”, considerou.
O BE já tinha entregue um projecto de lei que previa a revogação das taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos que, a ser aprovada, entraria em vigor com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2010.
A Assembleia “pode assumir a revogação dos decretos que instituíam as taxas”, matéria que será discutida na próxima conferência de líderes.
Contactada pela Agência Lusa, a deputada do CDS-PP Teresa Caeiro, considerou que a iniciativa do Governo só confirma a “atitude que o PS e o Governo têm relativamente às iniciativas da oposição”.
“Não percebo porque é que houve esta alteração de vontade a não ser uma atitude que já conhecemos do PS e do Governo. Quando uma iniciativa é apresentada pela oposição é rejeitada, quando é o PS ou o Governo a propor já é válida”, criticou.
A deputada lembrou que na legislatura anterior a maioria absoluta PS rejeitou iniciativa do CDS-PP e de outras bancadas que visavam acabar com as taxas moderadoras nas cirurgias e internamentos.


