O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que as mulheres são “o elo mais fraco” nas empresas e que a igualdade de direitos com os homens é “uma reivindicação” que ainda está por alcançar.
A propósito do Dia Internacional da Mulher que hoje se assinala, o líder comunista esteve esta manhã a distribuir cravos vermelhos às trabalhadoras do Banco Espírito Santo, em Lisboa, um exemplo de uma empresa onde as mulheres são vítimas de uma “dupla discriminação”, sublinhou Jerónimo de Sousa.
Apoiantes do PCP distribuíam panfletos que reclamam “Igualdade na Lei e na Vida”, numa iniciativa em que os comunistas quiseram alertar para “uma realidade que está escondida” e que existe “no sector bancário”. Segundo Jerónimo de Sousa, funcionárias de empresas prestadoras de serviços que trabalham em bancos não têm o estatuto de bancárias e estão sujeitas a “vínculos precários e discriminação nos salários e em vários direitos”, isto porque não são trabalhadoras do banco.
“A melhor forma de celebrar este dia importante é trazer ao conhecimento da opinião pública” que apesar de o sector da banca apresentar “lucros fabulosos”, persiste “uma realidade insustentável, que é a profunda discriminação, a desigualdade em função da empresa onde trabalham e em razão de ser mulher ou de ser homem”.
Uma “situação aberrante” e “inaceitável” que é comum a toda a banca afirma Jerónimo de Sousa, que reclama que seja reconhecido a estas trabalhadoras “um estatuto idêntico a qualquer bancário”. Para o líder comunista, “a efectivação de direitos iguais aos dos homens é uma reivindicação funda das mulheres portuguesas, que está longe de ter terminado”.
“Não há uma verdadeira emancipação da mulher se não lhe for reconhecida a igualdade no trabalho, no salário, nos direitos, na contratação colectiva, no reconhecimento da profissão”, sustentou Jerónimo de Sousa, defendendo que o trabalho é o “alicerce fundamental”, sem o qual a mulher não pode “aspirar a uma maior participação na vida política e social”. O líder comunista afirma que as empresas tendem a “penalizar em primeiro lugar as mulheres” e que, com as medidas de restrição previstas para os próximos anos, “pode haver a tentação de escolher o elo mais fraco, que são as mulheres trabalhadoras”.


