O PCP acusou hoje o Governo de persistir nas mesmas “orientações políticas” que estiveram na origem da crise económica e denunciou a “operação de vitimização e de inaceitável chantagem que o PS tem em curso”.
Em conferência de imprensa destinada a transmitir as conclusões da reunião do Comité Central, ontem, o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, frisou que “da formação do novo Governo e do conteúdo do seu programa emerge de novo, e com toda a clareza, a mesma política de direita que levou o país ao declínio económico”.
Denunciou também “a insustentável situação onde campeiam as mais elevadas taxas de desemprego, os baixos salários e pensões, as injustiças e a corrupção”. Assim, “o Comité Central do PCP chama à atenção e denuncia a operação de vitimização e de inaceitável chantagem que o PS tem em curso”.
“Encerrado na arrogância de uma maioria absoluta que já perdeu e incapaz de se adaptar à condição de um Governo de maioria relativa, o PS procura agora, pela ameaça a uma eventual interrupção da legislatura, transferir para outros as suas próprias responsabilidades”, acusou o dirigente comunista.
Para o Comité Central é também fundamental “que o combate decidido à grande criminalidade no país reclame a concretização não só de meios acrescidos ao serviço de investigação e o reforço e autonomia dos magistrados do Ministério Público, mas também de medidas urgentes, no plano legislativo, designadamente o levantamento do sigilo bancário e a criminalização do enriquecimento ilícito”.
“As recentes decisões do Tribunal de Contas sobre o processo de obras públicas, o processo “Face Oculta”, a par de inúmeros outros casos cujas investigações se arrastam sem fim à vista e com claros indícios de práticas de corrupção, exigem, tão rápido quanto possível, o apuramento da responsabilidade e a punição dos seus autores, sob pena de se alastrar e agravar a impunidade reinante entre os mais poderosos, ampliar a descredibilização da justiça e degradas o regime democrático”, disse Jerónimo de Sousa.
O dirigente do PCP deu ainda conta aos jornalistas de “uma grande campanha nacional, envolvendo toda a estrutura partidária, de contacto e esclarecimento dos trabalhadores e da população enquadrada na defesa do emprego, do trabalho com direitos e do combate à precariedade” que arrancará no primeiro trimestre de 2010.


