Paulo Penedos divulgou, ao princípio da tarde de hoje, uma declaração, através do seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, anunciando que autoriza a divulgação integral das escutas a telefonemas de que foi alvo no âmbito do processo da Face Oculta.
A decisão visa salvaguardar a sua dignidade e só tem duas restrições: não devem ser tornadas públicas “referências pessoais irrelevantes para o tema, e, por outro lado, lhe seja dada a oportunidade de explicar cabalmente o contexto das suas declarações”.
“A liberdade de imprensa não pode viver sem respeitar o princípio do contraditório”, sublinha Paulo Penedos, anunciando que amanhã irá informar o Tribunal desta sua posição. A atitude de Paulo Penedos foi adoptada na sequência de “transcrições de escutas telefónicas divulgadas em diversos órgãos de comunicação social, que teriam a ver com uma teia de relações visando a interferência ou a manipulação de estações de televisão e de jornais”.
Revelando que Paulo Penedos “nunca foi confrontado com as transcrições das escutas telefónicas que agora foram divulgadas”, a declaração divulgada pelo seu advogado frisa que, “apesar de ter memória de alguns dos relatos transcritos”, Penedos “considera que a divulgação efectuada enferma de lacunas e distorções que prejudicam a correcta percepção do seu verdadeiro sentido, bem como a adequada compreensão da sua real intervenção, enquanto consultor jurídico da PT SGPS”.
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
No âmbito deste processo, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN - Redes Eléctricas Nacionais, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA. Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu proprietário, Manuel Godinho, é o único dos 18 arguidos do processo que está em prisão preventiva.


