Na sua primeira visita oficial como ministro da Saúde, Paulo Macedo garantiu hoje que o Governo “vai preservar o Serviço Nacional de Saúde (SNS)” mas sublinhou que o “Estado não deve nem pode fazer tudo”, numa altura em que a dívida do sector ascende a “cerca de três mil milhões de euros”.
Assumindo-se sintomaticamente como “ministro do Sistema de Saúde e não apenas do SNS”, o governante quebrou o silêncio de um mês para, num discurso de seis páginas lido no auditório do Hospital de Viana do Castelo , afirmar que vai, “sem quaisquer preconceitos”, aproveitar o melhor das experiências do sector privado e social.
“O SNS vai continuar a ter um papel primordial”, mas os privados e as unidades do sector social “serão bem vindos”, reforçou depois, em resposta a perguntas dos jornalistas. O que não significa, notou, que tenha a intenção de entregar as unidades públicas à gestão privada. “Vamos avaliar em cada momento se há vantagens [em avançar para este modelo]”, disse.
Sobre as medidas previstas para os próximos meses, foi vago: adiantou apenas que os estudos para a revisão das isenções de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde estão a ser ultimados e garantiu que o princípio que norteia estes pagamentos se vai manter, continuando a representar “um impacto financeiro mínimo”.
Anunciou ainda que “nos próximos meses” o Ministério da Saúde vai ser submetido a “uma dieta”, uma reestruturação que passará pela sua agilização e desburocratização e adiantou que, até ao final deste ano, será apresentada uma nova Carta Hospitalar, com a redefinição da rede de unidades públicas.
Assegurando que o que o move não é “uma execução cega” dos números, Paulo Macedo deixou no seu discurso vários avisos à navegação: convidou todos a acompanharem este percurso “exigente e difícil”, mas sublinhou que não ficará “à espera de quem se atrase” e avisou que será indiferente ao “ruído”sobre as reformas que “inexoravelmente” vai concretizar.


