Patriarca de Lisboa defende “profunda revolução cultural e civilizacional”

01.01.2010 - 12:40 Por Lusa
O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, defendeu hoje “uma profunda revolução cultural e civilizacional” para que a humanidade volte a encontrar a justiça e a paz.
“A humanidade está, como nunca, perante o desafio de renovação de civilização”, afirmou D. José Policarpo na sua homilia do Dia Mundial da Paz, proferida na paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Oeiras.
O cardeal patriarca dirigiu as suas palavras para os “grandes problemas” que, numa época de globalização, “são comuns a toda a família humana, como o são, por exemplo, a salvaguarda do planeta Terra, a casa onde habitamos, a construção da paz, a vitória contra a violência, a promoção da justiça, de modo particular nos sistemas económico-financeiros e sociais”.
E, se os problemas são globais, também as soluções terão de o ser, considerou, referindo que a opinião pública portuguesa tem sido mobilizada na atenção a problemas específicos: “a crise económica, a violência crescente, a eficácia do sistema judicial, a corrupção, a luta contra a degradação do ambiente”.
D. José da Cruz Policarpo lembrou que estes problemas estão interligados, sendo causa-efeito uns dos outros.
“Administrar a justiça numa sociedade em que as pessoas e as instituições não procuram ser justas é tarefa árdua e complexa”, defendeu o dignitário da Igreja Católica.
Para o cardeal, a solução para todos estes “graves problemas da sociedade exige uma profunda revolução cultural e civilizacional”, devendo a tónica ser posta na educação, na família, na comunicação social, nas estruturas culturais, na formação para a liberdade.
“Espanta-me que se façam cimeiras sectoriais, sobre a preservação do ambiente, sobre a economia, sobre a crise financeira, e que ainda não se tivesse dado o mesmo relevo a cimeiras de aprofundamento civilizacional”, disse.
D. José Policarpo sublinhou ainda que “a Igreja é necessária às grandes causas da humanidade” e que, num quadro de globalização, o debate tem de passar por um diálogo entre civilizações, onde a Igreja Católica e as grandes religiões da humanidade têm um contributo a dar.

