Não é nas galinhas que está a origem dos surtos de gripe das aves causados pelo vírus H5N1 na Tailândia e no Vietname, mas sim nos patos, nos arrozais e nas deslocações das próprias pessoas, anunciou a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas.
Cientistas da FAO analisaram três surtos de gripe das aves em 2004 e 2005 naqueles dois países, usando programas de computador para estudar a interacção dos vários factores envolvidos na dispersão do vírus, incluindo o número de patos, gansos e galinhas na região, a dimensão das populações humanas, geografia e culturas.
O que concluíram foi que os factores mais importantes para o desencadear de um surto do vírus — que, ocasionalmente, afecta também os seres humanos — são o número de patos e pessoas, e a extensão dos arrozais. “Isto dá-nos uma melhor compreensão sobre onde e quando há maiores riscos de um surto do H5N1, e onde concentrar a vigilância”, comentou à Reuters Jan Slingenbergh, da FAO. Os resultados foram publicados esta semana na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences".
O vírus matou já 236 pessoas in 12 países em 2003, e tornou-se endémico na Ásia. Galinhas e perus são as aves mais afectadas, enquanto os patos são vistos como os agentes de dispersão do vírus. Controlar as populações de patos, para verificar se estão infectadas com o H5N1, e monitorizar as áreas de cultivo de arroz através de satélites são caminhos possíveis para determinar onde podem declarar-se surtos.


