“À descoberta da cidade da tolerância” foi o mote para uma visita guiada pela Praça da Figueira, Mouraria e Martim Moniz, em busca do conhecimento intercultural. A acção que decorreu hoje no centro de Lisboa foi organizada pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI) - instituto público dirigido pela Presidência do Conselho de Ministros – e contou com a presença de todos os líderes religiosos das comunidades residentes no país.
“Actualmente vivemos um momento de tolerância”, mas apesar disso é necessário que se promovam constantes acções para “conhecer melhor” as diferentes “realidades culturais”, defendia a Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse.
“Quisemos aproveitar [com a visita guiada] todo o centro antigo da cidade de Lisboa, que é por si só um centro intercultural e tem uma presença muito forte das várias culturas e religiões que têm passado pela cidade, para fazer não só aquilo que temos feito noutros sítios, de nos juntarmos com quem está no terreno, mas também para termos uma vertente importante de diálogo interreligioso”, explicou.
Foi neste âmbito que um grupo de líderes espirituais, representantes das minorias religiosas da Igreja Islâmica, Hindu e ortodoxa russa, se reuniram com jornalistas, professores e organismos da Administração Pública Local: para que as culturas deixem de ser entendidas no sentido antropológico do termo – hermeticamente fechadas de forma a conservarem as suas diferenças -, e passarem a ser entendidas de forma descomplexada, no sentido que extermina preconceitos e pressupõe a interacção e a verdadeira integração social, um sentido que fundamentalmente se quer transcultural.
Rosário Farmhouse destacou o desporto e a música como promotores desta interacção, mas realçou que a religião assume também um papel central. “O diálogo e respeito” são fundamentais, dizia a Alta Comissária, e a prova de que Portugal tem “sabido” fomentar a “riqueza das culturas”, está no facto destes líderes religiosos terem aceitado reunir-se para a visita guiada. Continuou afirmando que a importância da religião reside precisamente no facto de ser a primeira entidade que comunica com as comunidades. Ela tem um “papel fundamental para a paz” e faz parte do conjunto dos interlocutores que devem promover esta transculturalidade.
Com início na Praça da Figueira, o grupo seguiu em frente na direcção do centro comercial Mouraria. Este pequeno percurso permitiu constatar que, de facto, e sem a necessidade de verificar censos, Lisboa é a cidade portuguesa que conta com o maior número de imigrantes.
Seguidamente o grupo dirigiu-se até à rua do Arco da Graça, e a riqueza cultural por metro quadrado tornou-se logo evidente. Com alguns segredos urbanos desvendados, dos quais o do edifício Amparo que esconde por trás das suas portadas degradadas uma peça arquitectónica complexa, o grupo seguiu para a sociedade de Geografia de Lisboa onde decorreu um “almoço intercultural".


