Passageira do voo que fez aterragem forçada na Suíça vai processar Lufthansa

13.05.2009 - 08:04 Por Natália Faria
Uma das passageiras que viajavam no voo da Lufthansa que, no passado sábado, teve de fazer uma aterragem de segurança em Genebra, na Suíça, vai processar a companhia aérea por entender que houve comportamento negligente por parte do piloto do avião.
Christine Kreuzpaintner, que seguia sentada no 5 F, considera que se, perante a aproximação da zona de turbulência, o piloto tivesse alertado os passageiros para a necessidade de colocarem o cinto de segurança “menos pessoas teriam ficado feridas”, conforme declarou o namorado da passageira, Francisco Uhlfelder.
Este alemão a residir em Lisboa está, aliás, através do Facebook, a pedir que os restantes passageiros lesados pelo incidente o contactem e a disponibilizar apoio jurídico através dos advogados — um português e um alemão — que tem ao seu serviço.
Ao PÚBLICO, o porta-voz da Lufthansa, Aage Dünhaupt, não se mostrou preocupado, porquanto, “antes mesmo de o avião arrancar, os passageiros são sempre informados de que devem manter os cintos apertados, mesmo quando o sinal luminoso está apagado”.
É um procedimento que, segundo este porta-voz, a companhia adoptou precisamente por causa do fenómeno que perturbou o voo Munique-Lisboa, as “clear air tubulence” que costumam ocorrer acima dos 10 mil metros e que “não são detectáveis pelos radares”.
Ora, Francisco Uhlfelder contesta precisamente que se tenha tratado de um fenómeno deste tipo: “A minha namorada ia à janela e viu que o avião estava a entrar numa grande nuvem, de aspecto um bocado amarelo. Aquilo não era claramente uma ‘clear air turbulence’, aliás, toda a gente sabe que para aquela zona dos Alpes estava prevista uma tempestade.”
No voo Lx 4544 seguiam 147 passageiros, entre os quais o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a cantora Dulce Pontes e uma jornalista do PÚBLICO. A turbulência foi de tal forma forte que os passageiros que seguiam sem cinto foram embater no tecto do avião, assim como o carrinho das refeições, que tinham começado a ser servidas.
No total, houve 14 feridos, entre os quais dois portugueses que receberam assistência médica num hospital de Genebra. Um deles passou a noite no hospital, “mas saiu na manhã seguinte”, segundo a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. O mesmo se terá passado com os restantes feridos, adiantou o porta-voz da Lufthansa.

