Páscoa: bispo do Porto critica cristãos que não acreditam na Ressurreição

27.03.2005 - 07:58 Por Lusa
O bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, criticou ontem à noite, na homilia da Eucaristia de Páscoa realizada na Sé do Porto, "os cristãos que não acreditam na Ressurreição, nem na ressurreição de Cristo, nem na sua própria ressurreição".
"De facto, muitos reduzem o Cristianismo a um conjunto de prescrições, imposições, atentados às alegrias e prazeres da vida, às liberdades e legítimas ambições, à sede incontornável de liberdade e de urgência de viver a vida que tem limites neste tempo e neste mundo", disse o prelado.
O bispo criticou "a confiança que o neo-pelagianismo que vigora na mente de quantos - e são tantos - não querem outra salvação senão a que eles idealizam e entendem conseguir por si mesmos".
O pelagianismo é uma teoria alegadamente defendida pelo monge Pelágio (360-435), originário das Ilhas Britânicas, que, segundo os seus detractores, defendia que o pecado original não contaminava a natureza humana porque ela tinha sido criada por Deus e era por isso divina.
Esta doutrina foi condenada como herética pelo Concílio de Cartago, em 417.
Na sua alocução, D. Armindo Lopes Coelho referiu que há no mundo "situações de morte, injustiças, discriminação, astúcias cobardes, acomodações interesseiras, mentiras, violências, experiências frustrantes, abandono, isolamento, pobreza e fome, desânimo e falta de esperança".
"Mas Cristo continua vivo, sobretudo na Igreja de todos nós, a Igreja que celebra a vida, a Igreja de Cristo que é a nossa esperança, a Igreja de Cristo sem a qual não pode haver salvação", afirmou o prelado, apelando à "fé no Senhor Ressuscitado".
D. José Policarpo: moda da redução de Jesus à condição humana destrói a fé católica
Por seu lado, o cardeal-patriarca D. José Policarpo, criticou a "moda" da redução da figura de Jesus Cristo à sua condição humana, e sustentou que essa leitura, contrária aos Evangelhos, "destrói a fé" católica.
D. José Policarpo falava perante uma assembleia de crentes na Sé Patriarcal de Lisboa, na homilia Pontifical da Ressurreição do Senhor, no âmbito das celebrações católicas pascais.
"Jesus Cristo voltou a estar na moda, na literatura, na arte, nos média, que procuram apresentá-lo apenas como um homem, extraordinário porventura, mas sujeito aos limites da raça humana", disse.
Recentemente, o Vaticano, através do cardeal Tarcisio Bertone, criticou o livro "O Código Da Vinci", um romance de Dan Brown que aborda a vida de Jesus e obteve grande sucesso a nível internacional, vendendo em Portugal mais de 350 mil exemplares.
O cardeal foi encarregado de desmentir os alegados erros que Dan Brown comete na obra, nomeadamente as alusões ao casamento de Jesus com Maria Madalena, que o Vaticano considera "vergonhosas e infundadas mentiras".
Provavelmente aludindo ao "Código Da Vinci", o Patriarca de Lisboa afirmou na missa de ontem que algumas pessoas não hesitam em "falsear a verdade histórica dos Evangelhos, chegando a acusar-se a Igreja de ter inventado a fé na Ressurreição e escondido a verdade histórica acerca de Jesus".
"Esquecem que a abordagem histórica de Jesus só é possível respeitando a historicidade dos Evangelhos. Mas é preciso reconhecer que essas abordagens livres e romanceadas da figura de Jesus exercem grande fascínio em muita gente, num ambiente geral de relativização da objectividade da verdade", sustenta.
Para D. José Policarpo, esta "moda" de reduzir a figura de Jesus a um homem é o resultado de um contexto cultural "que dificilmente aceita a dimensão transcendente da vida".
Na sua opinião, não acreditar na ressurreição de Jesus é "destruir a fé" católica, que acredita que "Cristo está vivo, porque ressuscitou dos mortos".
Ainda durante a homilia, D. José Policarpo anunciou que o Congresso Internacional da Nova Evangelização, que se realizará em Lisboa de 6 a 13 de Novembro, terá como tema "a vida em todas as suas dimensões, ameaças e problemas, mas também em todas as suas expressões e testemunhos de quem acredita e luta" por ela.

